A eliminação da Albânia diante da Polônia, em Varsóvia, nesta quinta-feira (26), pela semifinal da repescagem europeia para a Copa do Mundo, encerrou o sonho do país de disputar seu primeiro Mundial. O resultado, porém, pode ter um impacto além das fronteiras europeias: colocar em risco uma tradição histórica do futebol brasileiro.
Com a saída da equipe comandada por Sylvinho, cresce a possibilidade de a Copa de 2026 ser a primeira sem a presença de técnicos brasileiros à frente de seleções. O cenário chama atenção especialmente por se tratar da maior edição do torneio, que contará com 48 equipes.
Desde 1930, sempre houve ao menos um treinador brasileiro em Copas do Mundo. Ao longo das décadas, nomes do país estiveram no comando não apenas da seleção brasileira, mas também de equipes estrangeiras, consolidando uma tradição de exportação de profissionais.
Entre os exemplos históricos estão Vicente Feola e Otto Glória, que participaram da Copa de 1966, além de técnicos como Carlos Alberto Parreira, recordista de participações, e Luiz Felipe Scolari, que também comandou seleções estrangeiras em Mundiais.
Para especialistas, o possível fim dessa sequência está ligado a mudanças no cenário do futebol. O técnico Paulo Autuori avalia que houve um atraso na atualização metodológica em relação ao que vinha sendo desenvolvido fora do país, o que contribuiu para a perda de espaço internacional.
Outro fator apontado é a crescente presença de treinadores estrangeiros no Brasil e no cenário global. Em 2025, a Confederação Brasileira de Futebol optou por contratar o italiano Carlo Ancelotti para comandar a seleção, após resultados abaixo do esperado com técnicos nacionais.
Nas últimas edições da Copa, o Brasil foi dirigido por Tite, que caiu nas quartas de final, enquanto não houve brasileiros liderando outras seleções.
A trajetória de Sylvinho na Albânia, iniciada em 2023, teve como destaque a classificação para a Eurocopa e a condução da equipe à primeira repescagem de sua história. Apesar do desempenho competitivo, a derrota para os poloneses interrompeu o projeto.
Diante desse cenário, a ausência de técnicos brasileiros na próxima Copa do Mundo deixa de ser apenas uma possibilidade remota e passa a ser considerada uma realidade próxima, marcando uma possível ruptura em uma das tradições mais longevas do futebol mundial.