“Epidemia de micropênis”? Médicos desmentem mito que viraliza nas redes

De acordo com médicos, o micropênis é uma condição rara, que atinge cerca de 0,06% dos meninos

Vídeos que circulam nas redes sociais têm levantado preocupação ao sugerirem uma suposta “epidemia de micropênis” em meninos e defenderem o uso precoce de testosterona. Especialistas alertam, no entanto, que essas informações são enganosas e podem levar pais a interpretações equivocadas.

De acordo com médicos, o micropênis é uma condição rara, que atinge cerca de 0,06% dos meninos, e só pode ser diagnosticada com base em critérios clínicos específicos, incluindo medições padronizadas feitas por profissionais. “Micropênis é um diagnóstico médico objetivo, não uma impressão visual”, explica Leonardo Borges.

O desenvolvimento do órgão ocorre em fases distintas ao longo da vida, como no período fetal, nos primeiros meses após o nascimento e, principalmente, durante a puberdade. Por isso, avaliações isoladas podem gerar interpretações incorretas.

Estudos apresentados pela Sociedade Brasileira de Urologia mostram que muitos pais tendem a subestimar o tamanho do órgão dos filhos. Em uma pesquisa com 99 crianças, nenhuma apresentou micropênis, apesar da percepção de parte dos responsáveis de que havia alteração.

Especialistas destacam ainda que fatores como sobrepeso ou características anatômicas podem dar a falsa impressão de tamanho reduzido. “Na maioria das vezes, uma breve explicação sobre o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e etapas de desenvolvimento traz tranquilidade a todos”, afirma Veridiana Andrioli.

A recomendação é que qualquer suspeita seja avaliada por profissionais de saúde. O uso de testosterona, por sua vez, só é indicado em casos específicos, com diagnóstico confirmado, já que o tratamento inadequado pode causar efeitos adversos.

Além disso, não há evidências científicas que comprovem a existência de uma “epidemia” ou relação com fatores ambientais, como alegado em conteúdos virais.