O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou nesta terça-feira (17) que o país está preparado para reagir a qualquer tentativa de intervenção externa, em meio ao aumento da tensão com os Estados Unidos.
A manifestação ocorreu após novas declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a sugerir a possibilidade de assumir o controle da ilha — afirmação que elevou o tom da crise diplomática entre os dois países.
Em resposta, Díaz-Canel utilizou as redes sociais para afirmar que, mesmo diante de um cenário adverso, Cuba não abrirá mão de sua soberania. Segundo ele, qualquer tentativa de agressão encontrará forte resistência por parte do país.
As falas de Trump ocorreram na véspera, durante conversa com jornalistas na Casa Branca, onde declarou acreditar que poderá “tomar Cuba” e afirmou ter liberdade para agir como quiser em relação à ilha.
O cenário se agrava em meio a uma crise profunda enfrentada por Cuba, marcada por dificuldades econômicas e um bloqueio energético que reduziu drasticamente o fornecimento de petróleo — essencial para o funcionamento do país.
Sem combustível suficiente, o país tem registrado apagões prolongados, paralisação de serviços e impactos diretos no cotidiano da população. Um dos episódios mais críticos ocorreu recentemente, quando um colapso no sistema elétrico deixou milhões de pessoas sem energia por mais de um dia.
Díaz-Canel também responsabilizou os Estados Unidos pelas dificuldades enfrentadas pela ilha, afirmando que as sanções e o embargo econômico, mantidos há décadas, são fatores determinantes para o enfraquecimento da economia cubana.
Além disso, o líder cubano criticou o que chamou de postura hostil de Washington, destacando que as ameaças têm sido recorrentes. Para ele, a justificativa apresentada pelos EUA ignora o impacto direto das próprias políticas americanas sobre a situação do país.
Mesmo com o clima de confronto, há sinais de diálogo entre as duas nações. Autoridades cubanas já admitiram contatos com o governo americano, embora sem detalhes concretos sobre possíveis avanços nas negociações.
A atual escalada ocorre em um momento considerado um dos mais delicados das relações entre Havana e Washington nos últimos anos, reacendendo tensões históricas que remontam à Revolução Cubana e ao longo período de embargo imposto pelos Estados Unidos.