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Explosão de vendas: canetas emagrecedoras dominam farmácias no Brasil

Por Brasil Direto

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Anvisa alerta para risco de pancreatite ligado a canetas emagrecedoras

As farmácias do país registraram, em janeiro deste ano, a venda de quase 444 mil unidades de medicamentos injetáveis voltados à perda de peso, com predominância de consumidoras mulheres, cuja média de idade gira em torno de 47 anos. Entre os produtos mais procurados, o Mounjaro liderou com mais da metade das vendas, seguido por Wegovy. Também aparecem na lista Ozempic e Rybelsus, este último em versão oral.

Os dados foram obtidos a partir do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, vinculado à Anvisa, que voltou a exigir o registro das vendas em 2025 após um período de suspensão. O levantamento de janeiro de 2026 é o primeiro a oferecer um retrato recente desse mercado no Brasil.

No total, foram contabilizadas 443.815 caixas de medicamentos que atuam como agonistas do GLP-1, indicados para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2. Apesar do crescimento no uso, especialistas alertam que esses produtos ainda são relativamente novos e seus efeitos a longo prazo seguem em análise.

A própria Anvisa identificou que cerca de 32% das notificações de efeitos adversos ligados à semaglutida estão associados ao uso fora das indicações aprovadas — índice superior à média global, estimada em 10% pela Organização Mundial da Saúde.

O perfil dos consumidores mostra concentração na faixa dos 40 aos 49 anos, responsável por mais de um quarto das compras. Regionalmente, o Sudeste lidera com folga, concentrando mais de 60% das aquisições, com destaque para o Distrito Federal, que apresenta o maior consumo proporcional.

A maior parte das vendas (mais de 98%) ocorreu mediante prescrição médica registrada no CRM, embora também haja casos com receitas emitidas por outros profissionais habilitados.

Com o fim da patente da semaglutida, substância presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, cresce a expectativa de que novos fabricantes entrem no mercado, ampliando a oferta e possivelmente reduzindo preços — o que pode tornar esses tratamentos mais acessíveis. Atualmente, os valores ainda são elevados, limitando o acesso principalmente às classes de maior renda.

Especialistas destacam que a ampliação do uso dependerá não apenas da redução de custos, mas também do avanço das pesquisas e da consolidação da segurança desses medicamentos no uso contínuo.

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