O senador Flávio Bolsonaro chamou atenção ao discursar em um evento com representantes da direita americana, realizado em Dallas, no Texas. Diante de um público expressivo, ele estabeleceu comparações entre a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro, e a do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de direcionar críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação foi feita em inglês, com base em um texto previamente preparado.
Logo no início, o parlamentar buscou destacar a importância estratégica do Brasil para os interesses dos Estados Unidos. Segundo ele, o país ocupa uma posição decisiva para o futuro do continente, podendo se tornar um aliado relevante ou, em outro cenário, dificultar a atuação americana na região ao se aproximar de adversários internacionais. Ainda nesse contexto, afirmou que o Brasil teria papel central na disputa geopolítica, especialmente por sua relevância na oferta de minerais considerados estratégicos, o que poderia ajudar a reduzir a dependência americana da China.
A participação do senador foi antecedida por uma apresentação feita por seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que o anunciou ao público enquanto registrava o momento em vídeo para mostrar ao pai. Durante o discurso, Flávio também mencionou Jair Bolsonaro ao traçar paralelos com a situação vivida por Trump. Ele afirmou que ambos teriam sido alvos de tentativas de atentado e perseguições políticas, acrescentando que, na sua visão, o ex-presidente brasileiro enfrenta um cenário semelhante ao que poderia ter ocorrido com o líder americano.
O senador também fez duras críticas ao atual governo brasileiro, classificando o presidente como um político condenado por corrupção e de orientação socialista. Ao se dirigir ao público estrangeiro, procurou justificar a relevância do tema para os Estados Unidos, argumentando que a situação política do Brasil teria impacto direto não apenas no país, mas também no cenário internacional. Nesse ponto, voltou a destacar questões como o controle de recursos minerais estratégicos e o combate ao narcotráfico.
Em outro momento, reforçou a ideia de que os Estados Unidos estariam diante de uma escolha estratégica envolvendo o Brasil, reiterando que o país pode atuar como parceiro ou dificultar interesses americanos na região. Também voltou a mencionar a importância do território brasileiro na disputa global por recursos naturais considerados essenciais.
Apesar das críticas direcionadas à China, que foi citada como concorrente na área de minerais estratégicos, o país asiático segue como principal parceiro comercial do Brasil. Ainda assim, o senador ampliou o tom das acusações ao afirmar que o governo brasileiro atuaria em defesa de organizações criminosas com atuação internacional, incluindo atividades como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e circulação ilegal de armas.
Nesse contexto, ele defendeu que facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas. Especialistas, no entanto, fazem distinção entre esse tipo de crime e o terrorismo. O ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sabburro avalia que essas organizações não possuem motivação ideológica ou política, mas atuam com foco financeiro.
Uma eventual classificação dessas facções como terroristas poderia abrir espaço para medidas mais duras por parte dos Estados Unidos, incluindo ações diretas e sanções financeiras, o que levanta debates sobre possíveis impactos na soberania brasileira.
Ao encerrar o discurso, Flávio Bolsonaro voltou a citar Donald Trump, sinalizando uma possível aproximação política. Ele afirmou acreditar que o ex-presidente americano, mesmo mantendo relações institucionais com diferentes líderes, teria condições de identificar aliados estratégicos no Brasil. Em tom otimista, também sugeriu que uma eventual volta de seu pai ao poder representaria uma versão mais experiente de sua gestão anterior, assim como avaliou que um novo mandato de Trump poderia ser ainda mais eficiente do que o primeiro.