O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem ampliado sua presença nas redes sociais desde que foi anunciado como pré-candidato à Presidência da República. Nas últimas semanas, o crescimento do parlamentar no ambiente digital passou a superar o ritmo de expansão do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O avanço ocorre em meio a pesquisas de intenção de voto que apontam um cenário equilibrado entre os dois em um eventual segundo turno. Levantamento do Datafolha indica que Lula aparece com 38% das intenções no primeiro turno, enquanto Flávio registra 32%. Em uma disputa direta, os números mostram 46% para o presidente e 43% para o senador, dentro da margem de erro.
Análise realizada pela consultoria Bites, a pedido da Folha de S.Paulo, avaliou o desempenho digital de líderes políticos entre 2022 e 2026. O estudo mede a chamada “tração” nas redes sociais — indicador que acompanha o crescimento e o nível de engajamento, como curtidas, comentários e compartilhamentos.
Durante os primeiros anos analisados, o protagonismo digital era dominado por Jair Bolsonaro, cuja campanha presidencial de 2018 teve forte base de mobilização nas redes. Após a eleição de Lula em 2022, o petista chegou a liderar o engajamento por algumas semanas, impulsionado pela vitória eleitoral.
Esse cenário mudou novamente após 2025, quando Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar e, posteriormente, foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Nesse período, Flávio passou a assumir maior protagonismo político e digital dentro do grupo bolsonarista.
O crescimento nas redes se intensificou depois que Jair Bolsonaro anunciou o filho como o nome da família para disputar a Presidência. Desde então, o senador tem registrado aumento expressivo de seguidores e engajamento nas plataformas.
Dados recentes apontam que, desde dezembro, Flávio conquistou cerca de 3,4 milhões de novos seguidores. No mesmo período, Lula somou aproximadamente 378 mil.
Aliados do senador afirmam que a estratégia atual busca consolidar sua imagem como liderança nacional. As redes do parlamentar têm divulgado agendas internacionais e encontros políticos, incluindo registros de conversas com líderes estrangeiros.
Enquanto isso, Lula mantém postura crítica em relação ao uso excessivo de celulares e redes sociais. Em discursos e entrevistas recentes, o presidente afirmou que não utiliza telefone celular e defendeu maior convivência presencial entre as pessoas.
Especialistas em comunicação política avaliam que essa postura pode criar distanciamento com parte do eleitorado conectado. Para analistas, a presença direta e espontânea nas plataformas digitais tende a gerar maior identificação com o público.
Outro fator apontado é o estilo de comunicação. Enquanto conteúdos ligados ao governo costumam ter produção mais elaborada, as publicações de Flávio frequentemente são gravadas pelo próprio senador, com linguagem mais informal.
Apesar do crescimento do pré-candidato nas redes, analistas ressaltam que o contato presencial com eleitores continua sendo relevante na política. No entanto, destacam que a internet ampliou significativamente o alcance da comunicação eleitoral, permitindo que lideranças dialoguem simultaneamente com milhões de pessoas.