GAC GS3 é chinês bom de dirigir, tem preço de 1.0 e faz inveja no Nivus GTS

É até estranho o GAC GS3 ser um carro chinês que não é híbrido, muito menos elétrico. O novo carro de entrada da GAC no Brasil só tem um motor a combustão, que queima apenas gasolina. Pode ser inusitado, mas o que a marca chinesa quer é comprar briga no segmento mais disputado do Brasil, o dos SUVs médios.

É um segmento gigante que começa no Citroën Basalt, de R$ 104.890, passa por Fiat Pulse, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, pelos VW Tera, Nivus e T-Cross e chega no Honda HR-V Touring, de R$ 214.000. Mas o GAC GS3 se encaixa na metade inferior dos SUVs compactos: seus preços variam entre R$ 129.990 e R$ 159.990, e pelo menos no papel ele entrega muito mais.

GAC GS3 2027
Divulgação/GAC

Os 4,41 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,6 m de altura e 2,65 m de entre-eixos, fazem do GS3 um SUV maior do que um Jeep Compass, que é um SUV médio. O padrão de acabamento, o conteúdo das versões e o motor também estão alinhados aos médios.

Não passa despercebido

O modelo abusa de traços retos, recortes angulosos, superfícies geométricas e vincos bem marcados. Na dianteira, os faróis full led são pequenos e ficam bem no meio: as peças pontiagudas que se destacam próximas do capô são as luzes diurnas de led, que também têm função de seta.

GAC GS3 2027
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A grade, com grelha vertical, parece receber um corte em V ao centro. De lado, há vincos angulosos nas portas, nos apliques da coluna C e até nos retrovisores. As rodas são de 18 polegadas na versão Premium e de 19 polegadas na versão Elite.

A traseira segue com as linhas tão geométricas que as extremidades das lanternas saltam para fora. A tampa do porta-malas fica rente ao para-choque, portanto, exposta a batidas, e tem abertura elétrica automática na versão mais cara.

gs3
Divulgação/GAC

O interior, por sua vez, suaviza a temática – embora ela ainda esteja lá. Pontos como os porta-copos no console central, o formato da borda da central multimídia e os apliques acima e em volta do quadro de instrumentos têm quebras de linhas mais evidentes, mas não tanto.

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GAC GS3
Divulgação/GAC

Por falar no interior, ele também foge aos padrões dos demais chineses atuais. Mesmo que não tenha uma forte personalidade, não é do tipo vazio, apenas com grandes telas, porque há comandos físicos completos para o ar-condicionado automático. Mesmo a tela do quadro de instrumentos não é enorme, tem sete polegadas e conta-giros, temperatura do motor e nível do tanque de combustível são mostrados ao lado, em mostradores de cristal líquido. A central multimídia tem 14,6″ e Android Auto e Apple Carplay sem fio.

Existe um trabalho de design, com composições de volumes, traços, materiais de toque macio por todas as superfícies, e uma faixa central com costuras aparentes. O acabamento interno pode ser todo preto ou ter partes na cor marrom.

GAC GS3 2027
Divulgação/GAC

O espaço traseiro fica próximo de modelos como T-Cross, Creta e HR-V, donos das melhores acomodações, e tem um saída de ar e uma porta USB convencional. O importante é que as inclinações do encosto e do assento têm ângulos confortáveis. Mas o porta-malas de 341 litros decepciona, considerando as dimensões gerais do carro. A culpa, em partes, é do estepe de uso temporário acomodado no assoalho.

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Esportivo culposo?

Se o normal abaixo dos R$ 160.000 é encontrar SUVs com motor 1.0 turbo, o GAC GS3 segue a proposta dos Caoa Chery Tiggo 5X: coloca um motor 1.5 turbo na briga. No caso do estreante, o motor já tem watercooler e injeção direta (atuando a uma pressão de 350 bar), mas não é flex: só queima gasolina. Rende 170 cv e 25,5 kgfm, e está sempre combinado a um câmbio de dupla embreagem com sete marchas.

GAC GS3 2027
Divulgação/GAC

Tirando pelo design, pelo tamanho das rodas, pelo aerofólio robusto e pelo para-choque traseiro que faz questão de simular as saídas de escape, o GAC GS3 foi criado para se passar por um SUV esportivo. Mas alguma esportividade ficou pelo caminho, como a retirada do escape central traseiro com variador de ronco, ou pela ausência de borboletas para trocas sequenciais.

O motor também foi amansado. Esta configuração usar um turbocompressor convencional em vez de um elétrico e isso, combinado com a programação adequada às normas de emissões do Brasil, custou uma redução de 7 cv e 2 kgfm. O efeito prático está em respostas rápidas nos primeiros momentos de aceleração, muito em virtude do acoplamento do câmbio, e em ganho de velocidade mais progressivo depois.

GAC GS3 2027
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O câmbio, vale dizer, não ajuda muito e seu temperamento varia bastante. No modo econômico, não adianta pressionar o acelerador até o fim porque dificilmente o câmbio fará uma redução de marcha. No modo conforto, as trocas de marcha acontecem em momentos previsíveis, sem deixar que o motor ganhe muito giro. No modo esportivo, aí sim as marchas são melhor aproveitadas e as mudanças são mais rápidas. Independente do modo, porém, o câmbio sempre tende a ficar confuso nas retomadas ou demora a responder quando é exigido. Falta uma programação mais refinada.

Por outro lado, o desempenho pode compensar: a GAC divulga um 0 a 100 km/h em 8,1 s, ou seja, 0,3 s mais rápido que o tempo divulgado pela VW para um Nivus GTS de R$ 189.690. E um GS3 Elite, de R$ 159.990, até tem o teto solar panorâmico que os clientes da VW tanto desejam nos Nivus. 

GAC GS3 2027
Divulgação/GAC

Não é audácia demais comparar este GAC a um Volkswagen. Direção e freios (a disco, ventilados na frente e sólidos atrás) têm boas respostas e sensibilidade, e o GS3 é mais um GAC com uma boa calibração de suspensão. É um carro firme, mas não duro demais como os Pulse e Fastback Abarth. É um carro prazeroso de dirigir em estradas sinuosas, mas não te faz sentir raiva em vias malcuidadas. Vale ressaltar que a suspensão traseira é por eixo de torção, a mais comum entre os SUVs compactos.

Se a dinâmica não é de carro chinês, a calibração dos assistentes ADAS não nega a origem: assistentes de faixa e alertas de colisão são um tanto desesperados, e até mesmo o controle de estabilidade tende a ser invasivo, interferindo em uma curva contornada com um pouco mais de velocidade a ponto de ser audível.

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GAC GS3 2027
Divulgação/GAC

Ruído é outro ponto a ser melhorado. O motor não chega a incomodar, mas há barulho de vento na área frontal e nos retrovisores, que têm braços duplos. E mesmo calçado com os pneus Michelin Primacy 3, há algum barulho de rolagem dos pneus invadindo a cabine.

Tão populares, são poucos os SUVs compactos sem motores flex. O GS3 só queimar gasolina soa incomum e a GAC não tem pressa para mudar isso: quer esperar a demanda dos clientes e, a partir disso, terá um desenvolvimento de pelo menos um ano e meio pela frente, diz Leonardo Lukacs, diretor de Engenharia e Manufatura da GAC. Mesmo com a produção nacional começando em 2027, os primeiros GAC nacionais não serão flex.

GAC GS3
Divulgação/GAC

Um ponto levantado pela fabricante é o consumo, que pioraria com a adaptação para etanol. E perto dos carros da sua faixa de preço, o GS3 não é tão econômico: no Inmetro, o GS3 foi homologado com consumo urbano de 10,1 km/l e rodoviário de 11,6 km/l. Consumo de motor a combustão chinês ainda é assunto delicado.

Em resumo, o GAC GS3 é um carro muito interessante, principalmente diante do preço cobrado. Os R$ 129.990 iniciais, porém, só valem para as primeiras 1.000 unidades ou até 31 de março. Depois, o preço da versão Premium passará a R$ 139.990. Esta versão Elite, porém, seguirá custando os R$ 159.990 pedidos. Confira os equipamentos de cada versão a seguir.

GAC GS3 Premium – R$ 129.990

A versão de entrada já vem equipada de série com rodas de liga leve de 18 polegadas, faróis e lanternas em led com acendimento automático, luzes de rodagem diurna (DRL) e maçanetas retráteis manuais. No interior, o modelo traz ar-condicionado automático com saídas para o banco traseiro, bancos e volante multifuncional com revestimento premium sustentável, além de ajustes manuais para os assentos dianteiros.

Na tecnologia, oferece central multimídia de 14,6 polegadas com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto, painel de instrumentos digital de 7 polegadas, sistema de partida sem chave, quatro alto-falantes e piloto automático convencional. A segurança conta com seis airbags (frontais, laterais e de cortina), controle eletrônico de estabilidade (ESP) e tração (TCS), assistente de partida em rampa, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, câmera de ré, sensores de estacionamento traseiros e monitoramento de pressão dos pneus.

GAC GS3 Elite – R$ 159.990

A configuração topo de linha adiciona rodas maiores, de 19 polegadas, maçanetas com retração elétrica, teto solar panorâmico elétrico com cortina e tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos. Por dentro, o motorista ganha banco com ajustes elétricos (seis vias) e sistema de ventilação, além de luzes ambiente com opções de cores, carregador de celular por indução de 50W e um sistema de som aprimorado com seis alto-falantes.

O grande diferencial da versão Elite, no entanto, é o pacote de segurança ativa (ADAS), que engloba piloto automático adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal, assistente de permanência e alerta de mudança de faixa, monitoramento de ponto cego, sistema de estacionamento autônomo completo (que controla pedais e direção), além de câmera 360 graus e sensores de estacionamento dianteiros.

Ficha Técnica – GAC GS3 Elite

Motor: gasolina, dianteiro, transv., 4 cilindros, turbo, 16 válvulas, 1497 cm³, 170 cv, 25,5 kgfm
Câmbio: automatizado de dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
Suspensão: McPherson (dianteiro), barra de torção (traseiro)
Freios: discos ventilados (dianteiro), discos sólidos (traseiro)
Direção: elétrica
Rodas e pneus: liga leve, 235/45 R19
Dimensões: comprimento 4,41 m, largura 1,85 m, 1,60 m, entre-eixos 2,65 m, peso 1430 kg, porta-malas, 341 litros; tanque 47 litros

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