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Mojtaba Khamenei assume liderança do Irã, mas desaparecimento público levanta dúvidas

Por Brasil Direto

O religioso Mojtaba Khamenei, de 56 anos, foi escolhido no último domingo para assumir o posto de líder supremo do Irã, sucedendo seu pai, Ali Khamenei. Entretanto, passados três dias desde a indicação, ele ainda não apareceu publicamente, não divulgou vídeos nem fez qualquer pronunciamento oficial, o que tem provocado especulações sobre sua situação.

Nesta quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, afirmou em uma mensagem publicada no aplicativo Telegram que Mojtaba está vivo e em segurança.

“Ouvi relatos de que o senhor Mojtaba Khamenei teria sido ferido. Perguntei a amigos que têm contato com ele e disseram que, graças a Deus, ele está bem e seguro”, escreveu.

De acordo com fontes ligadas ao governo iraniano ouvidas pelo jornal The New York Post, o silêncio do novo líder estaria relacionado principalmente a questões de segurança. Qualquer manifestação pública poderia revelar sua localização em meio ao clima de tensão após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro.

As mesmas fontes indicam ainda que Mojtaba teria ficado ferido durante o bombardeio que matou seu pai. Ele teria sofrido lesões nas pernas e estaria em recuperação em um local altamente protegido, com acesso restrito a comunicações.

Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre o estado de saúde do religioso ou detalhes precisos sobre as circunstâncias em que ele teria se ferido.

Os ataques também teriam provocado perdas familiares para o novo líder supremo. Além do pai, Mojtaba teria perdido a mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, a esposa Zahra Adel e um de seus filhos.

Quem é Mojtaba Khamenei

Nascido em Mashhad, Mojtaba cresceu em meio ao ambiente político e religioso que se consolidou após a Revolução Iraniana de 1979, processo que levou à formação da República Islâmica.

Embora nunca tenha ocupado cargos públicos de grande visibilidade, ele construiu ao longo das décadas uma ampla rede de influência dentro das estruturas do regime em Teerã.

Durante os anos 1980, participou da Guerra Irã–Iraque, integrando uma unidade ligada à Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Muitos integrantes dessa força acabaram ocupando posteriormente funções relevantes nos setores de segurança e inteligência do país.

Quando Ali Khamenei assumiu o cargo de líder supremo, em 1989, a influência de Mojtaba nos bastidores do poder aumentou consideravelmente.

Documentos diplomáticos dos Estados Unidos divulgados pelo WikiLeaks chegaram a descrevê-lo como “o poder por trás das cortinas”, sugerindo que ele exercia forte influência nas decisões internas do regime.

O religioso também manteve proximidade com setores da Guarda Revolucionária e com a Basij, força paramilitar vinculada ao governo iraniano.

Em 2019, durante a administração do então presidente Donald Trump, Mojtaba foi incluído na lista de sanções dos Estados Unidos, acusado de apoiar políticas consideradas desestabilizadoras na região e de colaborar com ações repressivas dentro do Irã.

Analistas também apontam que ele teria apoiado a eleição do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2005 e a controversa reeleição em 2009, episódio que desencadeou grandes protestos conhecidos como Movimento Verde no Irã.

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