Ao fim de sete gerações e cerca de 14 milhões de unidades, o BMW Série 3 dá o maior salto da sua história iniciada há 51 anos – o primeiro “3” foi lançado em 1975. Para a oitava geração, o sedã ganha uma inédita versão elétrica global batizada de i3, mas sem nada a ver com o original i3, um monovolume com carroceria em fibra de carbono produzido entre 2013 e 2022. Esta configuração será responsável pela estreia da nova geração do modelo mais importante da marca.
O novo i3 é o segundo modelo da família Neue Klasse (“Nova Classe”) da BMW, depois do SUV iX3 ter iniciado as suas vendas no início deste ano na Europa (ele já está confirmado para o Brasil). Trata-se de um sedã, cuja silhueta revela uma certa inclinação da carroceria na traseira.

Dianteira e traseira são fortemente marcadas pelas assinaturas luminosas que podem assumir um aspecto ainda mais impactante nos casos em que o pacote Iconic Glow está instalado no carro. Trata-se de uma grade frontal iluminada que torna o carro facilmente reconhecível, principalmente em condução noturna, mas que também acaba por participar nas animações de boas-vindas que o i3 dá ao seu proprietário quando este se aproxima com a chave do carro na sua posse.

Essa coreografia luminosa variará em função do nível de equipamento do i3 e o próprio dono pode definir a “intensidade” dessa espécie de saudação de reconhecimento nos níveis “Equilibrado”, “Descontraído” ou “Entusiasmado”.
Neste novo sedã de quatro portas e 4,76 metros de comprimento, tanto os faróis como as lanternas traseiras são estreitos e horizontais, prolongando-se tanto de um lado e de outro que quase se tocam ao centro. E constituindo uma personalizada assinatura luminosa com efeito 3D. As maçanetas estão niveladas à carroceria e projetam-se para o exterior quando o carro é aberto, para assim poderem ser puxadas.

Os curtos balanços frontais e traseiros, os arcos das rodas “musculosos”, o imenso teto panorâmico e a bitola traseira ligeiramente mais larga do que a dianteira ajudam a definir o visual exterior do novo i3, que tem apenas 1,48 metro de altura, mas uma generosa distância entre-eixos de 2,9 metros.
Por dentro, reencontramos elementos visual e funcionalmente similares aos que estrearam recentemente no iX3, como o sistema multimídia BMW Panoramic iDrive com projeção de conteúdos em toda a faixa horizontal inferior do para-brisas (visível para todos os ocupantes) e que permite conectividade com até sete diferentes motoristas.

Do lado do motorista, esse visor estendido mostra a informação relativa à sua função, sendo depois o restante personalizável, podendo ser os dados transferidos para ou recebidos da central multimídia de 17,9” (que está ligeiramente mais inclinada para o motorista – mais precisamente três graus – do que no iX3, e parece estar em itálico por suas laterais na diagonal).

Um dos pacotes disponíveis para o interior é o Digital Premium, que dá a possibilidade de os ocupantes do i3 se entreterem, entre outros, com vídeos e jogos. No volante, de pequeno diâmetro, aro grosso e raios retos em cima e em baixo, há comandos sensíveis ao toque.
A sofisticação tecnológica é ainda demonstrada pelo head-up display (projeção de informações no para-brisas) com gráficos animados e efeitos 3D, e realidade aumentada. Há ainda um assistente de bordo inteligente com “quem” a BMW diz ser possível manter animadas conversas em discurso natural durante a viagem.

É possível abrir e fechar o i3 usando o smartphone como chave digital, função que pode ser instalada em até 18 dispositivos móveis (e nem é necessário retirar o smartphone do bolso ou da bolsa/mochila).
O vão entre os bancos dianteiros é aberto e espaçoso, até porque o seletor da transmissão é pequeno e não obstrui os movimentos de motorista e passageiro dianteiro. Ao lado, existe apenas uma base com recarga de celulares por indução, além de comandos do áudio, desembaçador do para-brisas, acionamento do freio eletrônico e do pisca-alerta.

Os bancos esportivos têm ajustes elétricos de série e, as portas, também têm abertura e fechamento controlados eletricamente. A existência de ar-condicionado com três zonas facilita a personalização da temperatura da cabine de acordo com as preferências de vários ocupantes.
Há uma evolução tecnológica que não se vê mas se sente em quase tudo o que se faz com o i3, em movimento ou mesmo parado. Nos referimos ao “Heart of joy”, o supercérebro que controla o software e a nova arquitetura eletrônica. Ele é nada menos do que 10 vezes mais rápido no processamento de dados do que na geração anterior, segundo os engenheiros da BMW.

Seja para alterar parâmetros que influenciam na direção, motorização, suspensão (independente nas quatro rodas, multilink na traseira e adaptativa nas versões com tração nas quatro rodas), ou sistemas de controle de tração e estabilidade, frenagem e frenagem regenerativa (em parceria com o one pedal drive), tudo é orquestrado em tempo real para, segundo a marca bávara, tornar o carro mais equilibrado, previsível e envolvente.

Especialista em baterias
A BMW começou a produzir as primeiras baterias para o i3 original há mais de uma década e já se tornou especialista nesse domínio. O mesmo se pode dizer em relação ao sistema de propulsão elétrica, que entrou agora na sua sexta geração com os modelos da Neue Klasse, servidos por uma plataforma com arquitetura de 800 volts.

Essa geração de baterias utiliza células cilíndricas (em que a Tesla foi pioneira) em vez das anteriores prismáticas e conseguem oferecer mais 20% de densidade energética, velocidades de recarga 30% mais rápidas e mais 30% de autonomia diante da tecnologia usada até então.
Assim, considerando que o iX3 50 xDrive supera os 800 km de autonomia no ciclo WLTP, não surpreenderia (mesmo carecendo de homologação final) que para o i3, menor, mais leve e com melhor aerodinâmica, a BMW consiga apontar para uma autonomia de até 900 km.

Estas células têm ainda a particularidade de serem montadas diretamente na estrutura do carro (cell-to-pack), sem subdivisões modulares nem elementos estruturais, o que contribui para diminuir o peso do carro e os custos de desenvolvimento (o topo da bateria faz parte do plano inferior do próprio chassi).
O carregamento da bateria de 108,7 kWh pode ser feito em corrente alternada (AC) até 22 kW e em corrente contínua (DC) até 400 kW, resultando em tempos de recarga especialmente rápidos. Segundo a marca, ele pode ser recarregado de 0 a 100% em AC (22 kW) em 5h45 ou, de 10 a 80% em DC (400 kW) em apenas 21 minutos. Com esse tempo, é possível acrescentar uma autonomia de até 400 km em apenas 10 minutos.

Outros aspetos técnicos vantajosos são o fato de a unidade de controle com matriz integrada de comutação permitir também carregamentos em postos de 400 volts (e não apenas de 800), que continuam a ser a maioria, e também ser possível efetuar cargas bidirecionais de dispositivos externos (V2L), residências (V2H) e a própria rede pública (V2G), nos países onde estiver disponível.

Como é comum nos carros elétricos mais recentes, o i3 aciona automaticamente a função de pré-condicionamento da bateria (para que esteja na temperatura ideal quando a carga for iniciada) se tiver sido usado o sistema de navegação para chegar ao posto de carga ou, em alternativa, o motorista pode ligar a função manualmente (através do app ou da multimídia).
O i3 50 xDrive – juntamente com o 40 xDrive, as únicas versões confirmadas até ao momento – é equipado com dois motores elétricos, um em cada eixo, que caracterizam tração integral e chegam aos máximos 469 cv e 65,8 kgfm, na opção mais potente.

O motor montado eixo traseiro é do tipo EESM, ou seja, um motor elétrico em que o campo magnético do rotor é criado por corrente elétrica fornecida externamente, e não por ímãs permanentes (PSM). É o principal responsável pelo movimento das rodas, estando em funcionamento permanente com um máximo de 326 cv.
Quando necessário (pelo estilo de condução ou por baixa aderência da estrada), recebe a ajuda do motor dianteiro ASM (de indução, mais compacto e leve, e menos potente e menos eficiente), com 167 cv. Não há números de desempenho por ora, mas para o i3 50 xDrive não se espera uma aceleração de 0 a 100 km/h em muito mais de 4 segundos, considerando que o SUV iX3 o faz em 4,9 segundos.

Ficha Técnica – BMW i3
- Motor: elétricos (dois); dianteiro, EESM, 326 cv; traseiro, ASM, 167 cv; combinados, 469 cv e 65,8 kgfm
- Bateria: íons de lítio, 108,7 kWh, autonomia 900 km (previsão)
- Recarga: 22 kW (AC), 0 a 100% em 5h45; 400 kW (DC), 10 a 80% em 21 min
- Câmbio: automático, tração integral
- Suspensão: braços sobrepostos (dianteira), multibraços (traseira)
- Freios: disco nas quatro rodas
- Direção: elétrica
- Dimensões: comprimento 4,76 m, largura 1,87 m, altura 1,48 m, entre-eixos 2,90 m