Petróleo dispara com escalada da guerra e ameaça dos EUA

O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a ultrapassar a marca de US$ 109 durante a madrugada

A escalada do conflito entre Israel e Irã voltou a impactar diretamente o mercado global nesta segunda-feira (30), impulsionando os preços do petróleo. O cenário se agravou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mencionou a possibilidade de ações mais duras envolvendo a ilha de Kharg, ponto estratégico para a exportação iraniana.

O barril do tipo Brent, referência internacional, chegou a ultrapassar a marca de US$ 109 durante a madrugada, mas recuou ao longo do dia, sendo negociado próximo de US$ 107. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também registrou valorização, sendo cotado acima de US$ 103.

Desde o início das hostilidades, no fim de fevereiro, o petróleo acumula forte alta, superando 45% de valorização. O aumento é impulsionado, principalmente, pelas dificuldades no transporte da commodity pelo estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial.

Mesmo com sinais de possíveis negociações, os ataques entre os dois países continuam. O governo israelense informou ofensivas contra estruturas militares em Teerã, enquanto o Irã confirmou o lançamento de mísseis em resposta.

Em meio à tensão, Donald Trump declarou que uma de suas preferências seria assumir o controle do petróleo iraniano, comparando a estratégia ao que ocorreu na Venezuela. Segundo ele, essa medida poderia envolver a ilha de Kharg, responsável por grande parte das exportações do país.

A movimentação militar também aumentou. O governo norte-americano reforçou a presença na região com o envio de tropas, elevando o número de militares no Oriente Médio para mais de 50 mil.

Do lado iraniano, autoridades indicaram que o país está preparado para reagir a uma possível ofensiva terrestre. Lideranças políticas e militares afirmaram que haverá resposta direta em caso de invasão.

O cenário se torna ainda mais delicado com a entrada de novos atores no conflito, como os houthis, grupo que atua no Iêmen, aumentando o risco de interrupções no transporte marítimo no Mar Vermelho.

A instabilidade reflete diretamente nos mercados financeiros globais. Enquanto as bolsas europeias registram alta, impulsionadas pelo setor de energia, mercados asiáticos fecharam em queda diante das incertezas.

Além do petróleo, outros setores também sentem os efeitos da crise. O preço do alumínio, por exemplo, disparou após ataques atingirem instalações industriais no golfo Pérsico, aumentando as preocupações com o abastecimento global.