Preço do petróleo vive montanha-russa com ataques no Oriente Médio

A instabilidade ocorre em meio às tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel

O mercado internacional de energia começou esta quarta-feira (11) marcado por forte volatilidade. Depois de dois dias de movimentos extremos, o petróleo iniciou o dia em queda, chegou a registrar forte valorização ao longo da madrugada e, mesmo recuando posteriormente, manteve-se acima do valor de fechamento do dia anterior.

A instabilidade ocorre em meio às tensões geopolíticas envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que têm provocado preocupação nos mercados globais.

O barril do tipo Brent, usado como referência mundial, abriu a sessão em queda e chegou a recuar 1,72%, sendo negociado a US$ 86,29 por volta de 1h30 (horário de Brasília). No entanto, novas informações sobre ataques atribuídos ao Irã contra navios petroleiros e ameaças direcionadas a instituições financeiras e setores econômicos ligados aos EUA e a Israel mudaram rapidamente o rumo das negociações.

Com o agravamento das tensões, o contrato para entrega em maio disparou e atingiu US$ 92,96 às 6h45, avanço de 5,87%. Posteriormente, após a notícia de que Japão e Alemanha aceitaram liberar parte de seus estoques estratégicos de petróleo, a cotação perdeu parte da força. Ainda assim, por volta das 9h35 o barril continuava em alta de 4,28%, cotado a US$ 91,60.

As oscilações desta quarta ocorrem logo após uma sessão turbulenta na terça-feira (10), quando o petróleo chegou a despencar cerca de 18% ao longo do dia e encerrou com perda de 11,3%, sendo negociado a US$ 87,80 — a maior queda diária desde março de 2022. No dia anterior, o comportamento havia sido o oposto: na segunda-feira, o preço chegou a saltar 28%, alcançando US$ 119,46 antes de recuar e fechar a sessão em US$ 89,79.

O petróleo West Texas Intermediate (WTI), padrão utilizado nos Estados Unidos, também apresentou forte variação. Após iniciar o dia em baixa, o barril chegou a avançar 6,5% e depois reduziu a valorização para 4,41%, sendo negociado a US$ 87,13.

Na noite de terça-feira, o jornal The Wall Street Journal informou que a Agência Internacional de Energia teria aprovado a liberação de cerca de 300 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais para estabilizar o abastecimento mundial.

A medida buscaria reduzir os impactos provocados pela interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, passagem responsável por aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás transportados no planeta.

Embora a decisão não tenha sido oficialmente confirmada pela AIE, autoridades de Japão e Alemanha anunciaram que pretendem disponibilizar parte de seus estoques estratégicos para ajudar a conter a crise energética. O volume exato, entretanto, não foi informado.

Analistas do banco Goldman Sachs afirmaram que uma liberação dessa magnitude poderia compensar cerca de 12 dias de interrupção nas exportações do Golfo, estimadas em aproximadamente 15,4 milhões de barris por dia.

Outros especialistas, no entanto, demonstram cautela sobre os efeitos da medida. Para Suvro Sarkar, responsável pela área de energia do banco DBS Bank, liberar reservas estratégicas não resolve o problema central. Segundo ele, a trajetória dos preços dependerá principalmente da duração do conflito envolvendo o Irã.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou repetidas vezes que o país estaria preparado para escoltar navios petroleiros que atravessarem o Estreito de Hormuz, caso seja necessário. Até o momento, porém, fontes indicam que essa operação ainda não foi colocada em prática.

Impactos nas bolsas mundiais

A volatilidade do petróleo também repercutiu nos mercados acionários globais. Na Ásia, onde as negociações ocorreram durante o período em que o barril registrava queda, os principais índices encerraram o dia em alta.

As bolsas de Seul e Tóquio subiram 1,4%. Já o índice SSEC da bolsa de Xangai avançou 0,25%.

Na Europa, o movimento foi inverso. Com o petróleo voltando a subir pela manhã, os mercados passaram a registrar perdas. O índice Euro STOXX 600 caía 0,89% por volta das 9h30. Entre as principais bolsas, Frankfurt recuava 1,10%, Londres perdia 0,70%, Paris caía 0,67%, enquanto Madri e Milão registravam quedas de 0,36% e 0,87%, respectivamente.

Nos Estados Unidos, os índices futuros apontavam leve alta antes da abertura das negociações. O Dow Jones e o S&P 500 avançavam 0,23%, enquanto a Nasdaq registrava alta de 0,19%.

Enquanto isso, o ouro seguia na direção contrária e apresentava queda de 0,89%, sendo negociado a US$ 5.195,50.