Sob risco de cassação, Castro prepara saída do governo do Rio

A movimentação ocorre às vésperas da análise de um processo que apura suposto abuso de poder político e econômico

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deve anunciar nesta segunda-feira sua saída antecipada do cargo, em meio à retomada de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que pode levar à cassação de seu mandato e à inelegibilidade.

A movimentação ocorre às vésperas da análise de um processo que apura suposto abuso de poder político e econômico. O caso já conta com votos favoráveis à condenação do governador. Nos bastidores, aliados avaliam que a renúncia antes da decisão pode ser uma tentativa de reduzir os efeitos jurídicos da eventual sentença, embora especialistas ressaltem que isso não necessariamente impede a aplicação de sanções como a inelegibilidade.

Com a eventual saída, caberá à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro conduzir o processo de escolha de um novo chefe do Executivo estadual. Após um período de cerca de um mês, os deputados deverão eleger um governador que ficará à frente do estado até o fim do mandato, previsto para dezembro.

O cenário também aquece a disputa política no estado. O ex-prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), que deixou recentemente o cargo, deve entrar na corrida pelo governo nas próximas eleições e criticou a decisão de Castro, afirmando que o adversário busca evitar as consequências do julgamento.

Além da definição do novo governador, a Alerj deve enfrentar uma agenda decisiva nas próximas semanas, incluindo a escolha de um novo presidente da Casa e a indicação de um conselheiro para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), posições consideradas estratégicas no tabuleiro político fluminense.

A saída de Castro também está relacionada a seus planos eleitorais. O atual governador pretende disputar uma vaga no Senado e, conforme a legislação, precisa deixar o cargo até o início de abril para cumprir as regras de desincompatibilização.