Afastado por denúncias, ministro segue recebendo mais de R$ 100 mil

De acordo com o STJ, o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado foi analisado pelo plenário em 14 de abri

Afastado do cargo há mais de dois meses por suspeitas de assédio e importunação sexual, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marco Buzzi, continuou recebendo valores elevados durante o período fora das funções, com rendimentos líquidos superiores a R$ 100 mil mensais.

De acordo com o STJ, o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o magistrado foi analisado pelo plenário em 14 de abril. O tribunal informou que, a partir deste mês, o pagamento será restrito apenas ao salário-base, sem inclusão de benefícios adicionais.

Nos meses anteriores ao anúncio, os vencimentos do ministro incluíam uma série de verbas extras. Em fevereiro, quando foi afastado, ele recebeu R$ 132 mil brutos (cerca de R$ 106 mil líquidos). Em março, já fora das atividades, o valor líquido permaneceu elevado, em torno de R$ 101 mil.

Embora o salário-base de um ministro do STJ seja de aproximadamente R$ 44 mil, os ganhos podem ser ampliados por adicionais classificados como indenizações e vantagens pessoais, como auxílios diversos e benefícios acumulados ao longo da carreira. Essas parcelas chegaram a somar dezenas de milhares de reais por mês.

O tribunal não detalhou exatamente quais benefícios foram pagos em cada período, mas informou que esses valores podem incluir auxílios como alimentação, moradia, saúde e outras compensações previstas. Também entram na conta adicionais por tempo de serviço e outras vantagens legais.

Mesmo afastado, Buzzi manteve remuneração próxima à registrada em anos anteriores, quando seus ganhos mensais já ultrapassavam os R$ 90 mil. Em um dos meses de 2024, chegou a receber cerca de R$ 260 mil. Em 2025, os rendimentos acumulados já passam de R$ 1,1 milhão.

O afastamento impede o exercício das funções no tribunal, mas não suspende o pagamento do salário, já que não houve decisão definitiva sobre as acusações. A defesa do ministro não comentou o caso nesta fase, mas anteriormente afirmou que ele não cometeu irregularidades.

Além do processo administrativo no STJ, o magistrado também é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), que tramita sob sigilo.