A Whirlpool, controladora das marcas Brastemp e Consul, aprovou a transferência da produção que era realizada em Pilar, na Argentina, para sua unidade em Rio Claro, no interior de São Paulo. A decisão foi formalizada em 20 de abril de 2026 pelo conselho da companhia e comunicada ao mercado pela operação brasileira do grupo.
Segundo a empresa, a medida integra uma estratégia de reorganização industrial voltada à “eficiência operacional”, “otimização da capacidade instalada” e melhor distribuição de recursos produtivos. Na prática, o movimento consolida o encerramento da planta argentina, já anunciado em novembro de 2025, e transfere integralmente essa produção para o Brasil.
A companhia informou que a fábrica de Rio Claro será responsável por absorver o volume antes produzido em Pilar, dentro de um processo gradual de transição que envolve ajustes logísticos e operacionais. A Whirlpool afirma que a estrutura brasileira tem condições de incorporar a nova demanda sem comprometer o abastecimento regional.
Em documento relacionado à operação, a empresa também detalhou a aquisição de ativos industriais da unidade argentina. A transação foi concluída em 23 de janeiro de 2026 e envolveu equipamentos e bens operacionais, com valor estimado em US$ 36,7 milhões, cerca de R$ 194,1 milhões na cotação utilizada pela companhia.
O fechamento da fábrica em Pilar ocorre em um cenário mais amplo de enfraquecimento da indústria argentina. Embora a Whirlpool não relacione diretamente sua decisão ao governo de Javier Milei, o movimento coincide com um período de retração do setor produtivo no país, marcado por queda de consumo interno e aumento da concorrência de produtos importados.
Dados do INDEC indicam que a produção industrial manufatureira argentina recuou 8,7% em fevereiro de 2026 na comparação anual, com queda acumulada de 6% no primeiro bimestre. Esse contexto tem sido associado por analistas a uma sequência de perdas de atividade fabril e fechamento de unidades produtivas no país.
Reportagens anteriores já apontavam o impacto da política econômica argentina sobre o setor industrial, com redução de operações e demissões em diferentes segmentos. A saída da Whirlpool reforça esse quadro de retração da base produtiva local.
Com a mudança, a Argentina deixa de concentrar parte da fabricação e passa a atuar principalmente como mercado consumidor dos produtos do grupo. A empresa informou que seguirá abastecendo o país com itens produzidos em outras unidades.
No Brasil, a planta de Rio Claro ganha maior relevância dentro da estratégia global da companhia, ao concentrar parte significativa da produção antes distribuída na região. O movimento também reforça a transferência de capacidade industrial para o território brasileiro, em meio à reorganização das operações sul-americanas da multinacional.