Brasileiro ajuda corredor desmaiado e emociona Maratona de Boston

O episódio aconteceu a cerca de 200 a 300 metros da linha de chegada

O brasileiro Robson Gonçalves, de 36 anos, ganhou destaque internacional nesta segunda-feira (20) após protagonizar um gesto de solidariedade durante a Maratona de Boston, nos Estados Unidos. O atleta ajudou o corredor norte-americano Ajay Haridasse, que passou mal nos metros finais da prova, a concluir a corrida.

O episódio aconteceu a cerca de 200 a 300 metros da linha de chegada, quando Robson, que já acumulava dez maratonas no currículo e buscava seu melhor tempo pessoal, percebeu o adversário em colapso, sem conseguir se manter de pé. Diante da situação, ele decidiu interromper a própria performance.

Com apoio do britânico Aaron Beggs, os três completaram juntos o percurso final, sendo recebidos sob aplausos do público e posteriormente destacados pela imprensa internacional como “heróis”.

Em entrevista ao G1 e à TV Globo, Robson relatou que a decisão foi imediata e guiada pelo momento crítico. Ele explicou que estava próximo de melhorar sua marca, mas optou por ajudar ao ver o estado do corredor norte-americano, afirmando ainda que acreditou que qualquer pessoa na situação teria tomado a mesma atitude e que o objetivo passou a ser garantir a chegada do atleta em segurança.

Durante o trajeto final, ele contou que, sem domínio do inglês, utilizou apenas orientações simples para tentar conduzir o colega até a linha de chegada, em meio ao extremo desgaste físico dos três atletas. Após cruzarem o pórtico, todos receberam atendimento médico, já que também estavam exaustos pelo esforço da prova.

Robson também precisou de cuidados médicos após a corrida e chegou a receber o mesmo suporte de cadeira de rodas utilizado pelo atleta que ajudou.

Trajetória no esporte

A história do brasileiro nas corridas começou de forma modesta, com treinos ocasionais e distâncias curtas. A primeira maratona foi disputada em São Paulo, em 2019, e desde então ele passou a se dedicar com mais intensidade ao esporte, mirando a classificação para Boston, uma das provas mais tradicionais do mundo.

Ele relembrou que a vaga não é simples de conquistar, já que depende de índices classificatórios obtidos em outras maratonas, além do desempenho e da faixa etária dos atletas. Em 2024, após superar o tempo exigido na Maratona do Rio de Janeiro, ele garantiu a classificação, ficando abaixo do índice necessário.

Na edição deste ano, a meta era bater seu recorde pessoal, mas o plano acabou sendo interrompido pela situação inesperada no fim da prova. Mesmo assim, ele afirmou que já vinha sentindo o desgaste físico nos quilômetros finais e que a prioridade acabou sendo outra.

Apesar da repercussão mundial, Robson minimizou o reconhecimento, atribuindo o gesto à fé e não a um ato de heroísmo pessoal. Ele afirmou que tudo aconteceu por vontade divina.

A rotina do atleta é marcada por disciplina e dificuldades, já que ele concilia treinos com trabalho em turnos alternados e a criação dos três filhos. Ele relatou que costuma treinar de madrugada ou em horários adaptados à rotina familiar e profissional.

Mesmo com os desafios, garante que pretende seguir competindo e reforçou o desejo de continuar no esporte por muito tempo, inclusive inspirando os filhos.

Ao final, surpreendido pela repercussão global, contou que tem recebido mensagens de várias partes do mundo e ainda tenta responder com ajuda de tradutores, demonstrando gratidão e a intenção de voltar às próximas edições da prova, se possível.