CEO da Kia diz que chineses “não tem mais munição” e copia sua estratégia para vender mais

Muito se fala da expansão dos carros chineses ao redor do mundo, com cada vez mais marcas chegando a diferentes mercados, dos emergentes aos mais tradicionais. Mas, para a Kia, esse movimento pode estar com os dias contados.

Para o CEO da empresa sul-coreana, Ho-Sung Song, a onda de expansão das montadoras chinesas está chegando ao fim. “Como não terão mais o apoio dos subsídios do governo chinês, os fabricantes não têm a munição necessária para continuar avançando”, disse o executivo em um evento recente com investidores da Kia.

CEO Da Kia
Ho-Sung Song, CEO da Kia, já prevê o fim da expansão chinesaDivulgação/Kia

Em 2026, o governo chinês encerrou subsídios e isenções fiscais às fabricantes de automóveis locais. Somado a isso, o mercado local ainda enfrenta uma guerra de preços, que tem colocado diversas fabricantes no vermelho. Para especialistas, o cenário indica o início de uma “seleção natural”, na qual apenas as mais consolidadas devem sobreviver.

O fim dos incentivos já mostra efeitos na China. Foram registradas 1,67 milhão de vendas de carros novos em fevereiro de 2026, ante 2,2 milhões em novembro do ano passado.

Continua após a publicidade

Além de apontar o problema dos concorrentes, a Kia também traçou uma estratégia para enfrentá-los nesse momento de fragilidade. A principal aposta das montadoras chinesas é oferecer veículos tecnológicos a preços baixos — e a sul-coreana pretende seguir caminho semelhante.

No início, os elétricos da Kia custavam entre 20% e 25% a mais que os rivais chineses. Recentemente, a diferença caiu para algo entre 15% e 20%.

Continua após a publicidade

O lançamento do Kia EV2 exemplifica isso. O modelo custa cerca de 29.450 euros, enquanto o Dolphin Mini varia entre 19.990 e 26.490 euros, considerando os preços praticados na Espanha.

Kia EV2 GT-Line
Com o EV2, a Kia tenta usar a uma estratégia de preços mais baixos, bem semelhante a usada pelas montadoras chinesasDivulgação/Kia

Song aponta esse fator como um dos principais que podem frear a expansão das chinesas. Muitas montadoras do país intensificaram a presença em mercados externos para compensar a desaceleração interna. Exemplos incluem a BYD, que abriu fábricas no Brasil e na Europa, e a Chery, que lançou marcas globais como Omoda & Jaecoo.

Essa visão é compartilhada dentro do grupo Hyundai, ao qual a Kia pertence. O CEO da Hyundai, José Muñoz, também comentou o tema no evento: “Não crescemos no mesmo ritmo que eles, mas crescemos de forma lucrativa. Fazemos tudo com recursos próprios”.

Publicidade