Cesta básica sobe em todas as capitais e pesa no bolso do brasileiro

A alta foi puxada principalmente por itens essenciais como feijão, batata, tomate, carne bovina e leite

O custo da cesta básica registrou aumento em todas as capitais brasileiras, segundo levantamento realizado pelo Dieese em parceria com a Conab. Entre os maiores valores, São Paulo segue liderando, com a cesta chegando a R$ 883,94, enquanto Aracaju apresentou o menor custo médio, de R$ 598,45.

A alta foi puxada principalmente por itens essenciais como feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. No caso dos três primeiros, as chuvas nas principais regiões produtoras impactaram diretamente a produção e, consequentemente, os preços. Em sentido oposto, o açúcar ficou mais barato em grande parte das cidades, influenciado pelo excesso de oferta no mercado.

Entre as capitais com os aumentos mais expressivos estão Manaus, Salvador, Recife e Maceió, todas com variações superiores a 6%. Já no ranking de preços mais elevados, além de São Paulo, aparecem cidades como Rio de Janeiro, Cuiabá, Florianópolis e Campo Grande.

Mesmo com o salário mínimo fixado em R$ 1.621, o trabalhador precisa comprometer uma parte significativa da renda para adquirir os produtos básicos. Em média, quase metade do salário líquido — cerca de 48% — é destinada à compra da cesta, o que representa um aumento em relação ao mês anterior.

O tempo de trabalho necessário para garantir esses itens também cresceu, chegando a quase 98 horas mensais. Apesar disso, na comparação com o ano passado, houve uma leve melhora nesse indicador.

No acumulado dos últimos 12 meses, o comportamento dos preços foi variado, com aumento em parte das capitais e queda em outras. Aracaju, Salvador e Recife registraram as maiores altas, enquanto Brasília e Florianópolis apresentaram redução.

O levantamento aponta ainda que o feijão foi um dos principais responsáveis pela elevação dos custos, com aumento em todas as cidades. Problemas na produção, como redução de área plantada e dificuldades na colheita, contribuíram para a menor oferta do produto.

Especialistas destacam que, apesar da alta de preços, os produtores nem sempre se beneficiam, já que a produção foi prejudicada por fatores climáticos, resultando em menor volume colhido.

Além disso, há expectativa de novas oscilações nos preços, especialmente diante do cenário de incertezas no setor agrícola e da possibilidade de aumento global nos alimentos.

O estudo também estima o valor ideal do salário mínimo para atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas. Em março, esse valor deveria ser de R$ 7.425,99 — mais de quatro vezes o mínimo atual.