Cientista alerta que humanidade pode não durar mais meio século

Em entrevista ao site Live Science, publicada no último domingo (19), o cientista afirmou que o planeta pode enfrentar uma crise existencial dentro de cerca de 35 anos

O físico David Gross, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2004, fez um alerta contundente sobre os riscos que podem comprometer o futuro da humanidade. Para ele, há uma possibilidade real de que a civilização não consiga se manter por muitas décadas.

Em entrevista ao site Live Science, publicada no último domingo (19), o cientista afirmou que o planeta pode enfrentar uma crise existencial dentro de cerca de 35 anos. Segundo Gross, o principal fator de risco está relacionado à ameaça de uma guerra nuclear. “Atualmente, eu passo parte do meu tempo tentando dizer às pessoas que as chances de vocês viverem mais 50 anos são muito pequenas. Devido ao perigo de uma guerra nuclear, vocês têm cerca de 35 anos”, declarou.

A observação surgiu quando ele foi questionado sobre a possibilidade de a física avançar rumo a uma teoria capaz de unificar todas as forças fundamentais nas próximas décadas. Ao abordar o tema, Gross levantou uma preocupação mais ampla: se a humanidade ainda estará presente para testemunhar esse possível avanço científico.

Ele ressaltou que suas projeções não são exatas, mas baseadas em probabilidades. O físico relembrou que, mesmo após o fim da Guerra Fria — quando existiam acordos para limitar armamentos estratégicos —, estimava-se um risco anual de 1% de um conflito nuclear. De acordo com ele, esse cenário se agravou nas últimas décadas. “Não acho que seja uma estimativa rigorosa. Acho que as chances estão mais próximas de 2%. Isso significa uma chance de 1 em 50 a cada ano. A expectativa de vida, no caso de 2% ao ano, é de cerca de 35 anos”, explicou.

A chamada Teoria Unificada das Forças busca reunir, em um único modelo, as quatro interações fundamentais da natureza: gravitacional, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca. Conforme explica o CERN, o chamado Modelo Padrão já integra três dessas forças, mas ainda não consegue incorporar a gravidade, que segue como um dos maiores desafios da física teórica.