A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal entra em um momento decisivo nesta quarta-feira (29), mas o cenário no Senado ainda é considerado incerto. Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o nome enfrenta dúvidas quanto à aprovação, principalmente pela ausência de apoio explícito do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Antes da votação em plenário, o indicado passa por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa que antecede a análise final dos senadores. Para ser confirmado no cargo, são necessários ao menos 41 votos favoráveis, em votação secreta. Apesar de o governo demonstrar confiança nos bastidores, a expectativa geral é de uma disputa apertada.
A articulação política tem sido intensa nos últimos dias. Integrantes do governo tentam ampliar o apoio entre senadores, enquanto lidam com resistências, sobretudo de setores da oposição e de parte da bancada evangélica. A falta de um gesto público de Alcolumbre é vista como um fator que pode influenciar o resultado, já que o senador tem peso relevante entre seus pares.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto calcula ter votos suficientes para a aprovação, mas trabalha para evitar surpresas. Mudanças na composição da CCJ e negociações políticas fazem parte da estratégia para fortalecer a candidatura.
Caso seja rejeitado, o episódio representaria um fato raro na política brasileira — a última negativa do Senado a uma indicação ao STF ocorreu ainda no século XIX. Por outro lado, aliados do governo lembram que indicações anteriores enfrentaram resistência e, ainda assim, foram aprovadas.
A análise do nome de Messias ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o Congresso e o Judiciário, com debates sobre atuação do STF, investigações envolvendo parlamentares e temas institucionais sensíveis. Nesse contexto, a sabatina deve abordar questões como separação de Poderes, limites do Judiciário e pautas políticas recentes.