O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (7) em clima de cautela, com o dólar operando próximo da estabilidade enquanto investidores acompanham de perto os desdobramentos da crise no Oriente Médio. A atenção se volta especialmente para o prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã aceite um acordo e reabra o estratégico Estreito de Ormuz.
Por volta das 9h07, a moeda norte-americana registrava leve queda de 0,04%, cotada a R$ 5,1446. No pregão anterior, o dólar já havia recuado 0,27%, enquanto a Bolsa brasileira avançou discretamente, refletindo a expectativa por uma possível trégua no conflito, que já se estende há cinco semanas.
Nos bastidores diplomáticos, uma proposta intermediada pelo Paquistão chegou a ser discutida, prevendo um cessar-fogo temporário de 45 dias, seguido por negociações mais amplas. Apesar disso, fontes próximas às tratativas indicam que as chances de avanço ainda são reduzidas.
O governo iraniano rejeitou a ideia de uma trégua provisória e sinalizou que só aceitará um acordo definitivo. Entre as exigências estão o fim das sanções econômicas e garantias relacionadas ao uso do Estreito de Ormuz, ponto vital para o transporte global de energia.
A tensão se intensifica diante do ultimato de Washington, que estipulou um prazo até a noite desta terça-feira para que Teerã cumpra as condições. Caso contrário, há ameaça de escalada militar. Ainda assim, autoridades iranianas descartam reabrir o estreito em um cenário de acordo temporário.
No mercado, o cenário gera incerteza e volatilidade. Investidores têm buscado ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro norte-americano, enquanto aguardam sinais mais concretos sobre o rumo do conflito.
O impacto econômico já começa a ser sentido. O bloqueio do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás, elevou os preços da energia e ampliou o risco de uma crise global. O barril do petróleo Brent, referência internacional, avançou cerca de 1%, sendo negociado na casa dos US$ 112.
Com a pressão sobre os preços, cresce a preocupação com a inflação e os efeitos sobre o crescimento econômico. Bancos centrais, como o dos Estados Unidos e do Brasil, já passaram a considerar o conflito em suas decisões recentes.
No cenário doméstico, analistas elevaram novamente as projeções para a inflação nos próximos anos, enquanto mantêm estimativas para o dólar e a taxa básica de juros. Ainda assim, especialistas avaliam que o Brasil pode enfrentar melhor as turbulências, impulsionado pela relevância do setor petrolífero e pela possibilidade de atrair investimentos externos em momentos de instabilidade global.