O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (14) que o enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) é uma responsabilidade do Brasil, e não dos Estados Unidos.
Durante declaração, Lula ressaltou que o país tem conhecimento sobre a atuação dessas organizações e destacou que a legislação brasileira já prevê mecanismos para combatê-las. “Nós temos clareza do que significa o PCC e o Comando Vermelho. Isso está tipificado na legislação brasileira, e nós vamos enfrentar essa gente”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”.
O posicionamento vai ao encontro da postura do Itamaraty, que se opõe à proposta de autoridades norte-americanas de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas. Dentro do governo brasileiro, essa iniciativa é vista como uma possível justificativa para intervenções externas.
Apesar disso, o presidente não descartou cooperação internacional no combate ao crime. Segundo ele, há interesse em parcerias com os Estados Unidos para enfrentar o tráfico de drogas e o contrabando de armas. Lula mencionou, inclusive, que parte do armamento ilegal apreendido no Brasil tem origem norte-americana.
“À medida que o presidente Trump queira jogar sério, o Brasil será parceiro, com a nossa Polícia Federal, com o nosso Ministério Público, com a nossa Receita Federal, com aquilo que a gente puder a gente vai participar, porque nós queremos derrotar o crime organizado”, declarou.
No cenário político, a fala do presidente gerou reações. O senador Flávio Bolsonaro criticou a posição do governo durante participação em um evento internacional, acusando Lula de agir de forma equivocada ao tratar do tema.
Paralelamente, o governo aposta no endurecimento das leis como estratégia de combate ao crime organizado. No fim de março, Lula sancionou o chamado projeto antifacção, que estabelece regras mais rígidas para integrantes de organizações criminosas, embora tenha vetado alguns trechos da proposta.
Enquanto isso, o debate também avança no Congresso Nacional. Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados prevê classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, mas o texto ainda precisa passar por outras etapas antes de se tornar lei.