A FIFA aprovou, na noite de terça-feira (28), uma mudança em seu Regulamento de Governança que abre caminho para jogadoras afegãs voltarem a representar o Afeganistão em competições internacionais. A decisão contorna a impossibilidade de atuação da federação nacional, hoje sob influência do regime do Talibã, que proíbe a prática esportiva por mulheres.
A medida foi construída em parceria com a Confederação Asiática de Futebol e reconhece oficialmente o grupo Afghan Women United — formado por atletas afegãs que vivem fora do país — como representante legítimo da nação em torneios oficiais.
Com a alteração, a entidade máxima do futebol passa a permitir o registro de seleções nacionais em situações consideradas excepcionais, mesmo sem o aval ou a participação da federação local. A iniciativa busca proteger atletas afetadas por contextos políticos adversos, assegurando, segundo a própria Fifa, os princípios de universalidade e de não discriminação.
Entre jogadoras e defensores dos direitos humanos, havia críticas à demora da entidade em apresentar uma solução para o impasse. Já a Fifa sustenta que o caso exigia articulação internacional e não comportava uma resposta imediata.
Para Khalida Popal, ex-capitã da seleção e uma das principais vozes do movimento, o anúncio feito em Vancouver, no Canadá, representa um avanço histórico para o futebol feminino afegão.
Apesar de a decisão já estar em vigor, o processo de implementação deve levar até dois anos. A equipe, inclusive, já tem um período de preparação marcado para junho de 2026, na Nova Zelândia, onde enfrentará a seleção das Ilhas Cook.
Desde agosto de 2021, quando reassumiu o poder, o Talibã proibiu completamente a participação de mulheres em atividades esportivas, o que gerou protestos em cidades como Cabul e aprofundou o isolamento de atletas no país.