A montadora chinesa BYD e o cantor Amado Batista passaram a integrar, nesta segunda-feira (6), o cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que reúne empregadores envolvidos em casos de trabalho em condições análogas à escravidão.
A inclusão da empresa ocorre após uma operação de fiscalização realizada nas obras de sua fábrica em Camaçari, na Bahia, onde 163 trabalhadores foram resgatados. De acordo com os auditores, havia indícios de irregularidades na documentação utilizada para a entrada de estrangeiros no país, além de condições precárias de alojamento e jornadas exaustivas.
Segundo os relatos, os funcionários viviam em ambientes inadequados, com falta de estrutura básica, número insuficiente de banheiros e ausência de descanso regular. Em alguns casos, a carga de trabalho ultrapassava dez horas diárias, sem intervalos adequados.
No caso de Amado Batista, o registro no cadastro se deu após a constatação, segundo o MTE, de que 14 trabalhadores teriam sido submetidos a condições irregulares em propriedades vinculadas ao artista, em Goiás. A assessoria do cantor, no entanto, contesta as acusações e afirma que houve apenas inconsistências contratuais envolvendo uma empresa terceirizada, já em processo de regularização.
A chamada “lista suja” é atualizada após o esgotamento das possibilidades de recurso administrativo. Embora não imponha sanções diretas, o cadastro funciona como referência para instituições financeiras e empresas na avaliação de riscos, podendo dificultar o acesso a crédito e parcerias comerciais.
Em paralelo, a BYD já havia firmado, no início do ano, um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) no valor de R$ 40 milhões, destinado à reparação dos trabalhadores e a indenizações coletivas. Ainda assim, a medida não impede sua permanência na lista.
Reconhecida internacionalmente, a relação de empregadores é considerada pela Organização das Nações Unidas um dos principais instrumentos no combate ao trabalho análogo à escravidão.