Fórum Quatro Rodas: asfalto bom não é solução se não há sinalização adequada

O segundo painel do Fórum Direções Quatro Rodas, realizado em São Paulo nesta terça-feira (28), abordou o tema “Vias: os riscos que existem nas estradas brasileiras e soluções para aumentar a segurança nas viagens”.

Marco Antônio Giusti, Diretor Executivo da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), abriu o debate destacando um dos principais problemas das rodovias brasileiras: o investimento. No geral, a malha federal recebe mais recursos do que as rodovias estaduais, o que interfere não só na manutenção do pavimento, mas também na criação de soluções para melhorar a infraestrutura.

Fórum Quatro Rodas 2026
Marco Antônio Giusti, Diretor Executivo da ABCRFlávio Santana/Quatro Rodas

Usar o dinheiro de forma inteligente é essencial para evitar desperdícios. “Usando como exemplo a pavimentação, fazer a base bem feita é fundamental, e os reparos precisam ser frequentes. Se a manutenção demora, o custo será muito maior”, explica Giusti.

Frederico Rodrigues, consultor internacional de engenharia e mobilidade, e membro do Observatório Nacional de Segurança Viária, ponderou que, apesar da condição do pavimento ser importante, é preciso ir além e investir em fiscalização. “Pavimento bom, sem sinalização, não é segurança, é conforto.”

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Rodrigo Herzog, Diretor de Sinistros da Porto Seguro, complementa ao destacar as vias secundárias, especialmente no Norte e Centro-Oeste. Segundo o especialista, apesar de menos movimentadas, as vias destas regiões recebem grande fluxo de caminhões e exigem boa sinalização. Mesmo com aplicativos como o Waze, é obrigação da rodovia oferecer condições seguras ao condutor.

Cada um na sua faixa

Entre as soluções para aumentar a segurança viária está a segregação dos usuários. Nas vias públicas convivem carros, motos, pedestres e ciclistas, e os riscos aumentam quando todos se misturam.

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Frederico Rodrigues, consultor internacional de engenharia e mobilidade, e membro do Observatório Nacional de Segurança ViáriaFlávio Santana/Quatro Rodas

Um exemplo positivo citado por Herzog, é a faixa azul para motos, implementada em São Paulo em 2022. Dados da CET indicam redução de 47,2% nas mortes de motociclistas, de 36 em 2023 para 19 em 2024.

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Ele também destaca a importância da infraestrutura: “Faixas bem sinalizadas e acostamentos adequados são essenciais para que o motorista possa parar com segurança em emergências.”

Para Frederico Rodrigues, as rodovias devem ser projetadas considerando o erro humano, assim como os sistemas ADAS nos veículos. Um exemplo é a contenção lateral, ainda ausente em muitas estradas brasileiras. “Ninguém compraria um apartamento sem proteção na varanda, mas aceitamos rodovias sem contenção lateral.”

Herzog, da Porto, sinalizou que os sistemas ADAS reduzem as ocorrências de sinistros em 54%, de acordo com dados da própria seguradora.

Quem é o maior vilão?

Mesmo em pistas em boas condições, especialmente no período pós-pandemia, houve aumento de acidentes, impulsionado pelo excesso de velocidade.

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Herzog atribui isso a um fator cultural: “Precisamos entender que, quando estamos errados, estamos errados.” Segundo ele, muitos motoristas ainda veem a fiscalização como vilã.

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Flávio Santana/Quatro Rodas

Giusti concorda e defende o reforço na fiscalização como forma de mudar esse comportamento: “Uma rodovia segura não é apenas uma rodovia em boas condições. É preciso fiscalização para influenciar o comportamento do usuário.”

Entre as soluções discutidas está o radar de velocidade média, que calcula o tempo gasto entre dois pontos para identificar excessos. Embora já tenha sido testado no Brasil, ainda não é permitido pela legislação.

Rodrigues aponta medidas mais diretas, como melhoria em travessias de pedestres, contenção lateral e prevenção de colisões frontais — três pilares que podem transformar a segurança viária no país.

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