Guimarães assume Relações Institucionais e vira peça-chave na estratégia de Lula

Em seu quinto mandato como deputado, o novo ministro mantém proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta

O deputado federal José Guimarães assume nesta terça-feira (14) a Secretaria de Relações Institucionais com a missão de fortalecer a articulação política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reorganizar o equilíbrio de forças dentro do Palácio do Planalto.

Com trânsito consolidado no Congresso, Guimarães chega ao cargo com a expectativa de ampliar o diálogo com parlamentares, especialmente do centrão, e atuar como um contraponto ao estilo mais combativo do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

Em seu quinto mandato como deputado, o novo ministro mantém proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta, o que foi bem recebido por lideranças políticas. Integrantes do centrão avaliam que Guimarães tem perfil conciliador, cumpre acordos e conhece bem o funcionamento do Legislativo. Ele substitui Gleisi Hoffmann no cargo.

A mudança ocorre em meio a uma reconfiguração interna no governo, após a saída de Rui Costa da Casa Civil. Lideranças políticas apontam que a ausência dele tende a ampliar o espaço de atuação de Guimarães na articulação com o Congresso.

Nos bastidores, aliados do governo avaliam que decisões recentes tiveram forte influência de Boulos e acabaram gerando atritos com o Legislativo. Entre elas, a condução do projeto sobre regulamentação do trabalho por aplicativos e a proposta que trata do fim da escala 6×1.

O envio da proposta relacionada à jornada de trabalho foi confirmado por Lula após repercussão no Congresso. Já o tema dos aplicativos enfrentou resistência após mudanças no relatório do deputado Augusto Coutinho, o que levou o governo a rever sua posição.

Antes mesmo de assumir oficialmente, Guimarães já atuou nos bastidores para adiar a votação da proposta sobre aplicativos, articulando sua retirada de pauta em comissão especial. A expectativa era evitar desgaste político em meio à pressão da oposição e de setores do centrão.

Entre os primeiros desafios do novo ministro também está a reaproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em um momento de tensão entre o governo e a Casa. A articulação será considerada estratégica, especialmente diante de votações relevantes que devem ocorrer nos próximos meses.

A nomeação de Guimarães sinaliza uma mudança na estratégia política do governo, que passa a apostar em um perfil mais voltado ao diálogo para conduzir a relação com o Congresso, enquanto mantém figuras com postura mais firme em outras posições-chave.