Irã ameaça bloquear rotas marítimas e desafia sanções dos EUA

A advertência inclui a possibilidade de restringir o tráfego no Golfo Pérsico e até atingir áreas como o Mar Vermelho

O Irã elevou o tom das ameaças nesta quarta-feira ao afirmar que poderá interromper rotas estratégicas de navegação caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio aos portos iranianos. A advertência inclui a possibilidade de restringir o tráfego no Golfo Pérsico e até atingir áreas como o Mar Vermelho, mesmo sem acesso direto à região.

Em comunicado exibido pela TV estatal, o general Ali Abdollahi declarou que as forças armadas do país não permitirão operações de exportação ou importação em importantes rotas marítimas, como o Golfo Pérsico e o mar de Omã. Segundo ele, a continuidade das restrições impostas por Washington pode configurar quebra do cessar-fogo vigente.

Apesar da limitação geográfica em relação ao Mar Vermelho, o Irã pode atuar de forma indireta por meio de aliados no Iêmen, como os rebeldes houthis, que já demonstraram capacidade de atingir embarcações na região.

A tensão aumentou após o presidente Donald Trump determinar o bloqueio de navios que utilizem portos iranianos, medida que passou a valer nesta semana. O cenário se agravou desde o início do conflito, no fim de fevereiro, após ações conjuntas de Israel e Estados Unidos.

Como resposta, Teerã adotou medidas como o bloqueio do Estreito de Ormuz e realizou ataques contra alvos na região. Um cessar-fogo temporário foi firmado em 8 de abril para viabilizar negociações mediadas pelo Paquistão, mas as conversas mais recentes terminaram sem acordo.

Mesmo com as restrições, dados de monitoramento indicam que embarcações continuam deixando portos iranianos e cruzando rotas estratégicas. Fontes locais afirmam que o fluxo comercial segue ativo, apesar das sanções e do impasse diplomático.