MP Eleitoral reforça combate à atuação de milícias no processo eleitoral

Nos bastidores, a avaliação é que a infiltração do crime organizado na política se tornou uma preocupação maior do que a disseminação de desinformação

O Ministério Público Eleitoral intensificou a preparação de ações voltadas a impedir a influência do crime organizado nas eleições e barrar candidaturas com possível ligação a facções. A iniciativa será levada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como parte de uma estratégia para evitar a formação de uma eventual “bancada do crime” no cenário político a partir de 2026.

O plano inclui a criação de uma rede de inteligência dedicada a identificar indícios de financiamento ilegal de campanhas e possíveis casos de intimidação de eleitores por grupos criminosos. A atuação contra milícias e facções foi definida como prioridade pelo procurador-geral da República e eleitoral, Paulo Gonet.

Durante encontro com procuradores regionais, Gonet reforçou a necessidade de rigor no enfrentamento de qualquer prática que comprometa a liberdade do voto. Segundo ele, a interferência de organizações criminosas no processo eleitoral representa uma ameaça direta ao Estado democrático.

Um grupo especializado já monitora dados e movimentações de organizações criminosas para avaliar o grau de infiltração no ambiente político, inclusive no período pré-eleitoral. A força-tarefa reúne integrantes dos Gaecos e setores de inteligência do Ministério Público Federal e dos Ministérios Públicos estaduais.

Além disso, o órgão acompanha decisões recentes da Justiça Eleitoral e defende a manutenção do entendimento que impede a candidatura de pessoas com vínculos com o crime organizado, mesmo sem condenação definitiva. Casos registrados no Rio de Janeiro servem de precedente para essa atuação mais rigorosa.

A equipe deve seguir mobilizada até, pelo menos, 2027, com possibilidade de contestar mandatos já conquistados, caso sejam identificadas irregularidades após as eleições.

Nos bastidores, a avaliação é que a infiltração do crime organizado na política se tornou uma preocupação maior do que a disseminação de desinformação, tema que marcou disputas anteriores, mas que hoje é visto como mais controlável diante de acordos com plataformas digitais.