Mudanças no governo fortalecem posição de Boulos no Planalto

Com a saída de ministros que vão disputar eleições, ele passou a ter maior presença no núcleo estratégico do governo

As recentes mudanças no primeiro escalão do governo federal ampliaram o espaço político do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), dentro do Palácio do Planalto. Com a saída de ministros que vão disputar eleições, ele passou a ter maior presença no núcleo estratégico do governo e começou a participar das reuniões semanais voltadas à organização da campanha do presidente Lula (PT).

Essa ascensão, no entanto, ocorreu de forma gradual. Quando assumiu o cargo, no fim de outubro, Boulos atuava principalmente em funções externas, como a interlocução com movimentos sociais, a defesa das ações do governo nas redes e a coordenação de iniciativas voltadas à presença do Executivo nos municípios.

Com o passar dos meses, sua atuação se expandiu. O ministro também foi envolvido em pautas relevantes, como a discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos e propostas relacionadas à jornada de trabalho. Além disso, ganhou protagonismo em negociações com categorias específicas, como caminhoneiros, em meio ao crescimento de adversários nas pesquisas eleitorais.

Integrante do PSOL, Boulos passou a frequentar um grupo tradicionalmente formado por aliados históricos do presidente, em sua maioria filiados ao PT, o que chamou atenção de integrantes do governo. O núcleo é responsável por discutir cenários políticos e definir estratégias eleitorais.

Entre os nomes que participam dessas reuniões estão figuras de destaque do partido, como dirigentes, ex-ministros e responsáveis pela coordenação da campanha, além de integrantes da área econômica e da comunicação do governo.

O próprio presidente reforçou recentemente o prestígio do ministro ao validar uma proposta anunciada por ele sobre o fim da escala de trabalho 6×1, mesmo após questionamentos dentro do Congresso e do próprio governo.

Apesar do avanço, a trajetória de Boulos no governo também foi marcada por divergências internas. Ele esteve à frente de articulações que resultaram na revogação de um decreto relacionado a concessões de hidrovias na região amazônica, medida que gerou reação de outras áreas do Executivo.

Aliados do presidente ressaltam que, embora tenha ganhado espaço, isso não significa acesso direto ao grupo mais restrito de conselheiros de Lula, formado por nomes históricos do PT.

Boulos optou por permanecer no governo enquanto outros aliados deixaram cargos para disputar eleições. Essa é a primeira vez que ele atua de forma mais próxima ao presidente dentro da estrutura federal.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que o ministro pode ampliar ainda mais seu papel político nos próximos anos, sendo apontado, inclusive, como um dos nomes com potencial para ganhar protagonismo nacional.