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Nobel da Paz luta pela vida em prisão no Irã após infarto

Por Brasil Direto

A ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, enfrenta um quadro de saúde considerado crítico enquanto permanece presa no Irã. Segundo informações divulgadas por sua fundação, sediada em Paris, ela está em “estado grave” após sofrer um infarto durante o período de detenção.

A entidade relatou que a ativista encontra-se “extremamente debilitada e registrou uma perda de peso significativa”. Familiares e advogados conseguiram visitá-la recentemente, e, durante o encontro, “foram observados sinais evidentes de deterioração do seu estado geral e o seu estado físico foi considerado grave”.

Em nota, a fundação fez um alerta direto sobre a gravidade da situação: “A persistência desta situação coloca a vida de Narges Mohammadi em risco imediato e irreparável”. Ainda de acordo com o comunicado, já havia indícios, desde março, de que ela havia sofrido um infarto.

O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, que vive na Noruega, reforçou a preocupação ao afirmar que ela “ficou extremamente debilitada e registrou uma perda de peso significativa”. Ele também denunciou as condições da prisão, destacando que a ativista “está detida numa cela com prisioneiras acusadas de homicídio e foi ameaçada de morte em várias ocasiões por algumas dessas detidas”.

Diante do agravamento, organizações que acompanham o caso intensificaram a pressão sobre as autoridades iranianas. A coalizão Free Narges Coalition solicitou uma “licença médica imediata” para que a ativista possa receber tratamento adequado fora da prisão. Em apelo público, o grupo afirmou: “A vida de Narges Mohammadi está em perigo iminente e apelamos às autoridades iranianas para que atendam o nosso pedido e lhe prestem os cuidados médicos de que necessita urgentemente, concedendo-lhe licença médica imediata”.

Relatos indicam que, no fim de março, Mohammadi foi encontrada desacordada em sua cela e recebeu atendimento apenas na enfermaria da unidade prisional, apesar de apresentar “sintomas compatíveis com um enfarte”. A equipe que acompanha o caso descreveu que “o seu estado geral era extremamente precário, estava pálida e fraca, com uma perda de peso significativa”.

A ativista já possui histórico de problemas cardíacos e, ao longo dos anos, sofreu diversos episódios semelhantes durante períodos de encarceramento, incluindo uma cirurgia de emergência realizada em 2022.

Reconhecida internacionalmente por sua atuação em defesa dos direitos humanos, Mohammadi é alvo frequente de processos judiciais no Irã há mais de duas décadas, principalmente por sua oposição à pena de morte e às restrições impostas às mulheres no país.

Detida novamente em dezembro de 2025, ela foi condenada, meses depois, a novas penas que incluem seis anos de prisão por acusações ligadas à segurança nacional, além de mais um ano e meio por propaganda contra o regime. Somadas, as condenações podem chegar a até 18 anos, acompanhadas de sanções como exílio interno e restrições de deslocamento.

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