Preso, ex-presidente do BRB muda equipe jurídica em meio a investigações

A prisão ocorreu na última quinta-feira (16) e está relacionada, entre outros pontos, à suspeita de ocultação de patrimônio

Detido no Complexo Penitenciário da Papuda desde a semana passada, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, decidiu substituir sua equipe de defesa, movimento que levanta a possibilidade de uma eventual negociação de colaboração premiada.

Até então representado pelo advogado Cléber Lopes — que já atuou em causas ligadas ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha —, Costa passa agora a ser defendido por Eugênio Aragão e Davi Tangerino. A mudança foi oficializada nesta quarta-feira (22).

Questionado sobre a possibilidade de um acordo, Aragão afirmou que ainda não discutiu o assunto com o cliente. “Ainda não sei [se ele vai assinar um acordo]. Não conversei com o cliente ainda”, declarou.

A prisão ocorreu na última quinta-feira (16) e está relacionada, entre outros pontos, à suspeita de ocultação de patrimônio. Segundo as investigações, Costa teria recebido seis imóveis ligados ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões.

Aliados do ex-governador Ibaneis Rocha minimizam possíveis desdobramentos. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, afirmou que não há preocupação com uma eventual delação. “Esse episódio foi levantado entre nós [possibilidade de alguém fazer um acordo de colaboração], e ele não tem nenhum tipo de preocupação”, disse.

Costa é investigado por sua atuação em negociações envolvendo o BRB e o Banco Master, incluindo tentativas de aquisição e operações com carteiras de crédito consignado consideradas irregulares. Relatórios de auditoria apontam que essas transações teriam sido conduzidas com pressa e sem seguir todos os trâmites internos exigidos.

A Polícia Federal também identificou registros que indicam decisões diretas do então presidente do banco para viabilizar operações com a instituição privada. O caso segue sob investigação e pode ter novos desdobramentos.