Projeto de Tabata sobre antissemitismo acende debate e gera polêmica

A deputada tem buscado separar o combate à discriminação contra judeus de críticas direcionadas ao governo de Israel

Durante agenda internacional em Washington, a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) voltou a defender a criação de uma proposta legislativa voltada ao enfrentamento do antissemitismo no Brasil. A iniciativa, no entanto, tem gerado debates e críticas entre parlamentares e especialistas.

A deputada tem buscado separar o combate à discriminação contra judeus de críticas direcionadas ao governo de Israel. Em declarações recentes, ela classificou a gestão do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu como criminosa e afirmou que eventuais abusos cometidos no contexto da guerra devem ser denunciados.

O projeto de lei, que propõe medidas principalmente no campo educacional, enfrenta divergências. Enquanto parte dos especialistas considera a proposta um avanço na proteção à comunidade judaica, outros avaliam que o texto pode abrir margem para restrições à liberdade de expressão.

Um dos pontos mais discutidos está na definição de antissemitismo adotada pelo projeto. O texto inclui como possíveis manifestações discriminatórias críticas ao Estado de Israel quando associadas à coletividade judaica, além de comparações entre políticas israelenses e o nazismo.

Tabata também comentou as críticas e ataques que recebeu desde a apresentação da proposta. Segundo ela, há confusão no debate público e a existência de preconceito contra judeus no país não pode ser ignorada. A parlamentar defendeu que o enfrentamento ao antissemitismo deve ter a mesma importância que outras pautas, como o combate ao racismo e à violência contra mulheres.

Ela ainda destacou que a defesa de direitos não pode ser seletiva e criticou o que considera incoerência em parte do debate político. De acordo com a deputada, o projeto busca combater o ódio por meio da informação, e não ampliar conflitos.

A proposta foi construída com apoio de parlamentares de diferentes partidos, mas parte dos signatários retirou posteriormente o apoio. Nas redes sociais, também houve críticas, com questionamentos sobre possíveis impactos do texto sobre a liberdade de manifestação.

Durante a viagem, Tabata também abordou o papel das plataformas digitais no cenário político. Em encontro com estudantes, defendeu a necessidade de maior regulação das chamadas big techs, citando riscos relacionados à desinformação e à influência externa em processos democráticos.

A deputada afirmou que a falta de transparência no financiamento de conteúdos digitais permite a disseminação de mensagens políticas disfarçadas de entretenimento. Ela também relembrou denúncias feitas anteriormente sobre uso irregular de recursos em campanhas, classificando práticas desse tipo como “caixa dois digital”.