Trump assina decreto que restringe voto por correio nos EUA

A medida determina que órgãos federais auxiliem os estados na verificação de eleitores aptos a votar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira (31) um decreto que impõe novas restrições ao voto por correio no país. Crítico recorrente desse modelo, ele voltou a afirmar, sem apresentar provas, que há irregularidades nesse tipo de votação.

A medida determina que órgãos federais auxiliem os estados na verificação de eleitores aptos a votar. O texto também prevê a criação de uma “Lista de Cidadãos”, que reunirá pessoas autorizadas a receber cédulas enviadas pelo correio, com participação de departamentos ligados à segurança interna e à previdência.

Outro ponto do decreto estabelece que os votos postais utilizem envelopes com códigos de barras individuais, permitindo rastreamento e maior controle do processo.

A iniciativa intensifica o debate sobre o sistema eleitoral americano, que já vinha sendo alvo de críticas frequentes de Trump desde a eleição de 2020, vencida por Joe Biden. O republicano também tem defendido mudanças mais amplas, como a nacionalização de regras eleitorais e a exigência de identificação obrigatória dos eleitores.

Especialistas e opositores alertam que medidas mais rígidas podem dificultar o acesso ao voto, especialmente para grupos minoritários. Mesmo com maioria no Congresso, o governo enfrenta pressão política em meio a desafios como cenário econômico instável e tensões internacionais.

Durante a assinatura, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, indicou que o governo pode usar o decreto para pressionar estados a adotarem regras mais rigorosas no uso do sistema postal.

Apesar disso, o próprio Trump reconheceu que a decisão pode enfrentar questionamentos judiciais, já que a Constituição americana atribui aos estados a responsabilidade de organizar eleições, enquanto o Congresso define normas federais.

Em meio às críticas ao voto por correio, chama atenção o fato de que o próprio presidente utilizou esse método recentemente em uma eleição na Flórida, alegando impossibilidade de comparecer presencialmente.