O encerramento da janela partidária provocou mudanças relevantes na composição da Câmara dos Deputados, alterando o perfil de duas das principais siglas do país: PSD e União Brasil. As movimentações internas refletiram tanto no número de parlamentares quanto na identidade política das bancadas.
No caso do PSD, legenda presidida por Gilberto Kassab e que tem Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, houve um crescimento modesto no número de deputados, mas com transformações significativas no perfil regional e político. O partido registrou a saída de 14 parlamentares e a chegada de 16 novos integrantes, totalizando agora 49 cadeiras.
Com a nova configuração, o Nordeste passou a concentrar a maior fatia da bancada, reunindo cerca de 40% dos deputados da sigla. Esse fortalecimento regional também influencia o posicionamento político do partido, já que lideranças nordestinas tendem a manter proximidade com o presidente Lula. Entre os recém-filiados está o deputado Túlio Gadêlha, de Pernambuco, conhecido por sua afinidade com o campo progressista.
Enquanto isso, outras regiões perderam espaço dentro da legenda. O Sudeste teve redução no número de representantes, assim como o Sul. Nos bastidores, lideranças avaliam que esse novo desenho deve aproximar ainda mais o PSD do governo federal, com reflexos na atuação parlamentar e no apoio a pautas do Executivo.
Essa mudança também pode gerar dificuldades internas para a candidatura de Ronaldo Caiado, uma vez que parte expressiva da bancada, especialmente no Nordeste, tende a apoiar Lula já no primeiro turno, mesmo com a existência de um nome próprio do partido na disputa presidencial.
Além disso, a saída de parlamentares mais alinhados à direita contribuiu para diminuir a ala bolsonarista dentro do PSD. Muitos desses deputados migraram para o PL, atraídos pela identificação ideológica e pelo peso eleitoral da legenda. Houve ainda desfiliações motivadas por mudanças no cenário político estadual, como no Paraná.
No total, ao menos 121 deputados trocaram de partido durante a janela partidária, número que ainda pode crescer com atualizações pendentes.
Já o União Brasil enfrentou uma redução em sua bancada após intensas movimentações. A sigla perdeu 29 deputados e incorporou 21 novos nomes, passando de 59 para 51 parlamentares. Parte dos que deixaram o partido seguiu para o PL, enquanto outras saídas incluíram nomes com passagem recente pelo governo federal, como ex-ministros que optaram por novas filiações.
Apesar da diminuição numérica, a avaliação interna é de que o partido ganhou maior coesão. A saída de grupos com posições divergentes tende a reduzir conflitos e facilitar a definição de estratégias e posicionamentos no Congresso.
Ainda assim, o União Brasil precisou agir para evitar perdas maiores. Durante o período da janela, o saldo chegou a ser bastante negativo, mas a capacidade financeira da legenda, especialmente o fundo eleitoral, ajudou a atrair novos parlamentares na reta final. A atuação direta da liderança partidária também foi decisiva nesse processo.
A janela partidária é o período em que parlamentares podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato, regra válida para deputados federais e estaduais. O prazo foi encerrado na última sexta-feira (3), respeitando o calendário eleitoral, que prevê as eleições para outubro.
As mudanças impactam diretamente a dinâmica política no Congresso, influenciando negociações, alianças e a força das legendas. Embora não alterem a divisão atual do fundo eleitoral, que considera o desempenho nas eleições anteriores, as novas composições podem afetar estratégias futuras e a distribuição de recursos entre candidatos.