A lesão na panturrilha direita de Neymar é mais séria do que vinha sendo divulgado pelo jogador e pelo Santos FC. Exames realizados pelo departamento médico da seleção brasileira identificaram uma lesão muscular de grau 2, caracterizada por ruptura parcial das fibras, descartando a hipótese inicial de apenas um edema.
A confirmação foi feita na manhã desta quinta-feira (28) pelo médico da seleção, Rodrigo Lasmar, durante pronunciamento na Granja Comary, em Teresópolis. Sem abrir espaço para perguntas, o profissional explicou que o atacante passou por avaliações clínicas e exames complementares, incluindo ressonância magnética.
“Foi identificada uma lesão de grau 2 na panturrilha, não apenas um edema. O jogador segue em tratamento. A expectativa é que no prazo de duas a três semanas esteja liberado”, afirmou Lasmar.
Com o prazo estimado para recuperação, aumentam as dúvidas sobre a presença de Neymar nos primeiros compromissos do Brasil na Copa do Mundo. A estreia da seleção comandada por Carlo Ancelotti está marcada para o dia 13 de junho, contra Marrocos. Depois, o time encara Haiti e Escócia ainda pela fase de grupos.
A situação provocou desconforto nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol e entre integrantes da comissão técnica. Dirigentes consideram que houve falta de transparência sobre a gravidade da lesão, sofrida no último dia 17, pouco antes da convocação oficial para o Mundial.
Na ocasião, o camisa 10 deixou o gramado durante a vitória do Santos sobre o Coritiba reclamando de dores, mas afirmou após a partida que tinha condições de continuar em campo.
Mesmo após o episódio, o nome do atacante foi confirmado na convocação anunciada por Ancelotti em evento realizado no Museu do Amanhã. Desde então, porém, o jogador não voltou a atuar.
O mistério sobre a real situação física do atleta aumentou nos dias seguintes. Inicialmente, o problema foi tratado apenas como um edema muscular. Em uma aparição recente na Vila Belmiro, o próprio jogador chegou a ironizar as perguntas sobre a lesão.
Questionado por jornalistas sobre a panturrilha, respondeu de forma sarcástica: “Está aqui, inteira”.
Enquanto isso, médicos ligados ao Santos evitavam detalhar o quadro clínico e alegavam confidencialidade nas informações. Internamente, circulava a informação de que o edema teria apenas dois milímetros.
Ao se apresentar à seleção na quarta-feira (27), o atacante passou por novos exames em uma clínica de Teresópolis. O resultado confirmou a lesão muscular de maior gravidade e aumentou a possibilidade de corte do jogador antes mesmo do início da competição.