A condução semiautônoma virou prioridade entre as fabricantes chinesas, que passaram a investir em larga escala na tecnologia e a equipar um número crescente de modelos com sistemas avançados de assistência à condução. A BYD é um dos principais exemplos desse movimento e lançou o Dolphin Mini 2026 na China com um pacote ADAS mais sofisticado.
Apresentado no Salão de Pequim, o hatch elétrico chega às lojas chinesas com preços entre 69.900 yuans e 85.900 yuans, equivalentes a R$ 50.000 e R$ 61.500 em conversão direta. A atualização faz parte da estratégia da marca para reagir à perda de espaço do compacto diante de rivais como o Geely EX2, que foi o carro mais vendido da China em 2025.

A principal mudança do subcompacto está na arquitetura eletrônica. A fabricante passou a oferecer o sistema de assistência à condução DiPilot 300, comercializado como “God’s Eye B”. O pacote adiciona um radar LiDAR sobre o teto do veículo, um equipamento ainda incomum entre automóveis desse segmento. Com a novidade, os preços das versões equipadas sobem para a faixa entre 90.900 e 97.900 yuans, o equivalente a R$ 65.000 e R$ 70.000.
Na prática, o sensor tridimensional amplia as funções de condução semiautônoma urbana (CNOA). O sistema combina dados para interpretar semáforos em tempo real e assumir parte da direção durante cruzamentos e rotatórias urbanas.
A motorização elétrica foi mantida. Instalado no eixo dianteiro, o conjunto entrega 75 cv e 13,8 kgfm. Os compradores seguem com duas opções de bateria de lítio-ferro-fosfato. A unidade de 30,08 kWh garante autonomia de até 305 km no ciclo chinês, enquanto a bateria de 38,88 kWh (que é a usada no Brasil) amplia o alcance nominal para 405 km.

Rumores indicavam que o Dolphin Mini poderia ganhar autonomia próxima dos 505 km. Porém, o hatch foi lançado sem alterações no conjunto de baterias ou no gerenciamento energético. A carroceria também não mudou e mantém as dimensões já conhecidas no Brasil. O modelo tem 3,78 metros de comprimento, 1,71 m de largura, 1,54 m de altura e 2,50 m de entre-eixos.
No mercado chinês, o Dolphin Mini é vendido nas versões Vitality, Freedom, Zizai e Flying. As diferenças concentram-se principalmente nas capacidades das baterias e no acabamento interno, que recebeu novos revestimentos em tom bege claro.

O painel agora traz a central multimídia DiLink 150 em uma tela flutuante de 12,8 polegadas. O sistema passa a oferecer visualização tridimensional dos comandos do carro e navegação nativa otimizada.
As versões superiores incorporam itens como carregador de celular por indução de 50 W, bancos dianteiros com aquecimento e ajuste elétrico do banco do motorista em seis posições.
Na área de segurança, o hatch passa a contar com monitoramento de fadiga do motorista, frenagem autônoma de emergência e gravador de percurso com cinco câmeras. Externamente, a linha 2026 ganhou apenas novas opções de pintura nas cores laranja e verde, além de rodas de 16 polegadas redesenhadas e lanternas de led atualizadas.
A atualização do hatch evidencia o aumento da competitividade entre as fabricantes chinesas no mercado doméstico. O Dolphin Mini chegou a registrar 34.005 unidades vendidas em abril do ano passado, mas passou a operar abaixo da marca de 30.000 emplacamentos mensais desde o segundo semestre.
A retração coincide com o crescimento do Geely EX2, que assumiu a liderança do segmento no acumulado anual chinês. Além da Geely, a BYD também tenta proteger o compacto do avanço de novos concorrentes, como Arcfox T1 e Leapmotor A10. Ainda não há previsão oficial para a chegada das mudanças ao Brasil.