O Chevrolet Onix terá uma versão movida somente a etanol. Batizada como Onix Eco, a configuração já consta na tabela de preços da fabricante enviada para os concessionários para a linha 2027, obtida pelo site Webmotors. Antecipada pela QUATRO RODAS, a nova versão estará disponível tanto para o hatch quanto para o sedã Onix Plus.
O objetivo da General Motors é ter uma variante mais barata no mercado, aproveitando os benefícios fiscais para veículos movidos 100% a etanol.
A versão hatch do Chevrolet Onix Eco estreia por R$ 103.190. Esse valor o posiciona logo acima da configuração de entrada, que traz motor 1.0 aspirado. O sedã Onix Plus Eco, por sua vez, custa R$ 106.990. Com essa etiqueta, ele assume o posto de versão mais acessível do modelo. O valor cobrado pelas novas opções equivale, na prática, ao preço de hatches com câmbio manual e com uma lista enxuta de equipamentos.
A decisão de abandonar a tecnologia flex não ocorre por acaso. Modelos com motor 1.0 aspirado e 1.0 turbo com câmbio manual já têm o Imposto sobre Produtos Industrializados zerado. Eles atendem às normas de eficiência do programa Carro Sustentável. No entanto, as variantes 1.0 turbo equipadas com transmissão automática ficaram de fora dessa categoria de isenção tributária.
Ao adotar a mecânica movida exclusivamente a etanol no Chevrolet Onix Eco, a fabricante consegue enquadrar o conjunto nas regras do IPI Verde. Para estimular o uso de etanol, as novas regras de cálculo do imposto determinam veículos flex como a base (0%) da alíquota de 6,3%, recebendo acréscimos se for movido só a gasolina e reduções se for eletrificado flex.
O uso exclusivo do combustível vegetal também tem um benefício, com um desconto de 0,5% no imposto sobre a alíquota base de 6,3%. Dependendo dos índices finais de eficiência, a redução tributária aumenta, criando margem para baixar o preço de vitrine.
A apuração inicial da QUATRO RODAS indicava que a base do projeto seria o propulsor 1.0 de aspiração natural. Esse motor gera 82 cv de potência e 10,6 kgfm de torque. Porém, a listagem do Webmotors aponta para o uso do motor 1.0 turbo de três cilindros, com 115 cv e 16,8 kgfm. A usina trabalhará acoplada exclusivamente à transmissão automática de seis marchas.
Para operar apenas com o combustível derivado da cana-de-açúcar, a engenharia da marca precisou aplicar alterações no conjunto. Um motor flex funciona com calibrações intermediárias, visando aceitar tanto etanol quanto gasolina sem falhas de funcionamento. Ao restringir o uso para o derivado vegetal, a fabricante otimiza a taxa de compressão e o avanço de ignição. Modificações nas câmaras de combustão e novos mapas eletrônicos, com o bloqueio via software para a gasolina, melhoram o rendimento térmico do carro.
A General Motors evitou desenvolver um motor do zero. O custo para projetar uma nova estrutura anularia a vantagem financeira obtida com os incentivos fiscais do governo, o que explica a manutenção da base motriz já conhecida.
O pacote de itens de série do Chevrolet Onix Eco acompanha o padrão das versões iniciais. A segurança é mantida com a oferta de seis airbags de fábrica. Há também faróis com acendimento automático e controlador automático de velocidade para condução em rodovias. A conectividade fica a cargo da central multimídia com tela de oito polegadas.
A lista de conforto inclui ar-condicionado, direção com assistência, além de vidros, travas e retrovisores elétricos. O modelo conta ainda com chave presencial para acesso e partida. Para manter o custo de produção baixo, as rodas são de aço com 15 polegadas, cobertas por calotas plásticas simples.
O Chevrolet Onix Eco a etanol pode ser a solução da marca para ter uma versão barata de entrada após o fim do programa Carro Sustentável, que será encerrado em dezembro deste ano. Sem o benefício, as variantes com motor flex ficarão mais caras, criando a chance de que o carro 100% a etanol seja mais acessível por conta da restrição de usar apenas um combustível.
