Poucos dias após encontros com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Rússia, Vladimir Putin, o presidente da China, Xi Jinping, recebeu nesta segunda-feira (25), em Pequim, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
A visita ocorre em meio ao crescimento da influência diplomática do Paquistão nas negociações relacionadas à guerra no Irã, cenário que vem reposicionando Islamabad no debate internacional.
O encontro também marca os 75 anos das relações diplomáticas entre China e Paquistão e reforça a estratégia chinesa de ampliar seu papel nas principais discussões geopolíticas globais.
Antes da reunião, Xi declarou que “apesar das instabilidades do cenário internacional, a China sempre priorizou suas relações com o Paquistão”. Já Sharif destacou a importância da cooperação entre os países e defendeu o fortalecimento do multilateralismo.
Entre os temas centrais da agenda esteve o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), considerado um dos projetos mais estratégicos da iniciativa chinesa Cinturão e Rota. O programa envolve grandes obras de infraestrutura e utiliza o porto de Gwadar como rota de escoamento comercial para produtos chineses.
Embora a pauta econômica tenha dominado oficialmente o encontro, a tensão no Oriente Médio apareceu como pano de fundo das conversas. Há expectativa de que Xi e Sharif tenham debatido a situação do Estreito de Hormuz, área considerada vital para o comércio mundial de petróleo.
O pesquisador Joshua Kurlantzick, do Council on Foreign Relations, afirmou que o Paquistão conseguiu ampliar sua relevância diplomática ao participar das negociações envolvendo o Irã e ao estreitar laços com Washington, mas ponderou que ainda existe incerteza sobre a permanência desse protagonismo.
“A questão mais difícil é saber se Islamabad conseguirá transformar este momento em algo duradouro. E, historicamente, isso não inspira muita confiança”, afirmou.
Nos últimos anos, Sharif também intensificou o diálogo com os Estados Unidos. Em setembro do ano passado, ele participou de uma reunião de alto nível com Donald Trump na Casa Branca.
Mesmo com a aproximação de Washington, o Paquistão segue altamente dependente da China em áreas estratégicas, incluindo economia e defesa. Durante as recentes tensões com a Índia, o país utilizou armamentos chineses no conflito.
Segundo Kurlantzick, a reunião em Pequim reforça essa relação desigual entre os dois países.
“O Paquistão deve à China cerca de 30% de sua dívida externa, e os armamentos chineses foram fundamentais no recente impasse militar com a Índia. O Paquistão precisa muito mais da China do que a China precisa do Paquistão”, declarou.