Durante anos, aa fabricantes de automóveis chinesas fabricavam em seu próprio país com foco no mercado local. Depois, houve o boom das exportações com os automóveis eletrificados chegando em outros mercados, como uma forma de dar vazão à produção chinesa.
Agora, os fabricantes da China querem produzir externamente. Isso pode ser observado no Brasil com as inaugurações das fábricas da BYD e GWM, a montagem local dos Changan e Chevrolet Spark e Captiva EV (que são projetos chineses) além de outras futuras produções em solo brasileiro previstas para Geely, Omoda & Jaecoo e Leapmotor, para citar.
Um relatório recente da AlixPartners, empresa global de consultoria, mostra que as montadoras e fornecedores chineses pretendem fazer dos mercados internacionais sua principal fonte de lucro e prometem quase triplicar produção no exterior até 2030.

A produção passaria de 1,2 milhão de carros para 3,4 milhões, com foco em pelo menos 16 países fora da China – sendo o Brasil um deles. Não por acaso, na América Latina, as marcas chinesas já detêm cerca de um quinto do mercado automotivo total e mais da metade das vendas de veículos elétricos. Países como Hungria, Turquia e Tailândia também seriam foco para as chinesas.
América do Sul e Austrália são regiões que representam oportunidades de curto prazo para as montadoras chinesas expandirem seus negócios, graças à fragilidade das vantagens competitivas das companhias já estabelecidas nesses locais e à forte sensibilidade ao valor dos preços. O sul da Europa, por sua vez, está se consolidando como a principal porta de entrada para o continente.
O motivo dessa estratégia, segundo a consultoria, é um mercado interno chinês bem competitivo, associada a uma redução deliberada dos riscos da exposição geopolítica, além de uma demanda mais estável e de maior valor agregado.

O relatório também evidencia o que já é possível notar em alguns aspectos no mercado brasileiro. O modelo de crescimento da China nos últimos anos é baseado em “vantagens de custo”, com preços competitivos para os carros; ciclos de produtos mais rápidos, com a utilização de um produto chinês já pronto por uma montadora ocidental com pequenas alterações; e tecnologia mais avançada, por um preço menor.
Além disso, a pesquisa ressalta a construção de redes locais de concessionárias e serviços, a utilização de fabricação por contrato e joint ventures (aliança entre duas empresas) para contornar tarifas e acelerar a expansão – a exemplo da Stellantis com a Leapmotor e a da Renault com a Geely.