Um dos atores mais populares da Argentina, Guillermo Francella tornou o filme Homo Argentum (2025) um fenômeno de bilheteria naquele país, atraindo mais de 1 milhão de pessoas aos cinemas nos primeiros 11 dias em cartaz.![]()
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No longa-metragem, ele se reveza em 16 papéis cômicos, que são a marca de sua trajetória em quatro décadas no cinema portenho. Com uma carreira considerada “extraordinária”, Francella receberá o Prêmio Platino de Honra, a maior condecoração do cinema ibero-americano, também concedida a Ainda Estou Aqui, em 2025.
No Brasil, Francella pode ser lembrado pelo seriado Meu querido zelador (2022), mas também por clássicos do cinema argentino como O Segredo de seus Olhos (2009). Na obra-prima premiada com o Oscar de melhor filme estrangeiro, Francella é o assistente do protagonista, papel de Ricardo Darín, que recebeu o Prêmio Platino de Honra antes dele, em 2016.
Antes do sucesso internacional, no entanto, o humorista de 71 anos já era conhecido dos argentinos, tendo estrelado sucessos na TV e no teatro daquele país.
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Ator Guillermo Francella em cena do filme Homo Argentum. Foto: Prêmios Platino Xcaret/Divulgação
O jornalista cultural argentino Federico Frau Barros, professor de Jornalismo na Universidade Nacional de Avellaneda, define:
“Francella é conhecido de qualquer argentino e nos identificamos com ele. Ele representa os distintos momentos da história e da cultura do país”.
Entre os vários momentos, estão o apoio inicial dado por Francella ao governo do presidente argentino ultradireitista Javier Milei, embora o ator tenha mudado de posição, segundo o professor.
“A destruição que o governo Milei fez na cultura e, particularmente, na produção cinematográfica nacional foi tão grande que Francella se tornou um crítico ao desfinanciamento do setor”, explicou.
Carreira versátil
O júri do Prêmio Platino também considera que o portenho possui trajetória consistente.
“Francella construiu uma obra caracterizada por sua versatilidade e capacidade de transitar naturalmente entre a comédia e o drama, consolidando uma presença essencial no imaginário audiovisual ibero-americano”, justifica o júri, em nota à imprensa.
Os especialistas destacam a atuação dramática de Francella em O Clã (2015), pela qual ganhou o Prêmio Platino de Melhor Ator, em 2016.
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Ator argentino Guillermo Francella em Meu Querido Zelador. Foto: Disney+/Divulgação
Na nota, o júri acrescenta que o ator contribui para o “patrimônio cinematográfico ibero-americano”, mantendo “uma procura por novos desafios interpretativos”.
Professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense especializada em cinema latino-americano, Marina Tedesco destaca ainda a atuação de Francella no filme mexicano Rudo e Cursi (2008), contracenando com Gael García Bernal e Diego Luna.
“Esse reconhecimento celebra a trajetória de décadas de um ator atuando nos mais distintos gêneros”, afirmou.
Por Homo Argentum, filme de Gastón Duprat e Mariano Cohn, Francella disputa também o prêmio Platino de Melhor Ator, concorrendo com Wagner Moura, indicado pela interpretação em O Agente Secreto (2025).
O argentino já conquistou o troféu também em 2023, pela série de TV Meu querido zelador, sucesso na Espanha e na América Latina.
Argentinos em destaque
Consagrando o cinema argentino, Francella não está só nos Prêmios Platino. Na disputa de melhor diretora e de melhor atriz ibero-americanas está Dolores Fonzi, que dirigiu e protagonizou Belén: Uma história de injustiça (2025). O longa-metragem acompanha uma jovem presa injustamente por estupro, e Fonzi faz o papel de advogada da vítima.
“Fonzi é muito respeitada e tem uma excelente trajetória como atriz”, analisou Federico Frau Barros.
“Ela agora fez seus primeiros dois filmes muito bem recebidos pela crítica”, completou, sobre Belén e a comédia dramática “Blondi” (2023), também protagonizada pela atriz.
Disputando 11 categorias, incluindo o troféu de melhor filme ibero-americano, Belén já levou o prêmio de Educação, vencendo Manas, da brasileira Marianna Brennand.