Ford Ranger elétrica é descartada por ser inviável com as baterias atuais

A Toyota pode ter optado por criar uma Hilux elétrica, mas ela não deve ganhar um rival de peso tão cedo. A Ford decidiu não desenvolver uma Ranger EV por enquanto, como revelou Mario Brandini, diretor de programa de veículos da plataforma T6 da picape, em entrevista ao site australiano CarExpert. A declaração encerra uma série de rumores sobre a possível chegada de uma versão elétrica.

O principal obstáculo para a criação de uma picape movida exclusivamente a energia elétrica está na sua capacidade de trabalho. A engenharia responsável pela plataforma global T6, arquitetura que também serve à Volkswagen Amarok, avalia que a tecnologia atual ainda não consegue entregar o que o cliente procura nesse tipo de veículo. O peso extra das baterias afeta diretamente a capacidade de carga e reboque, atributos fundamentais para quem compra uma picape.

Ford Ranger Tremor
Divulgação/Ford

Nas versões tradicionais com motor a combustão, a Ranger consegue rebocar até 3.500 kg. Exigir esse mesmo esforço constante de um conjunto elétrico reduziria a autonomia de forma severa, inviabilizando viagens mais longas ou o trabalho rotineiro em propriedades rurais. Além do desafio imposto pelo arrasto aerodinâmico e pelo peso adicional das baterias, a ausência de uma rede de recarga ampla em regiões mais isoladas afasta rapidamente frotistas e clientes do agronegócio.

Continua após a publicidade

Há também uma questão de demanda. A fabricante entende que o recente aumento nas vendas globais de veículos elétricos está concentrado em hatchbacks e SUVs. Nesses segmentos predominantemente urbanos, a exigência mecânica e estrutural é menor, permitindo que a tecnologia atual entregue o desempenho esperado. Para aplicações de força, porém, a equação financeira e a viabilidade técnica ainda não fecham a conta.

Ford Ranger Stormtrack PHEV

Enquanto a conversão total para a eletricidade permanece em espera, a solução considerada mais coerente pela engenharia foi a hibridização, com a estreia da Ranger PHEV. A versão está confirmada para chegar ao Brasil no ano que vem, produzida na Argentina. Esse conjunto técnico permite manter a capacidade de reboque de 3.500 kg intacta, unindo o motor a combustão ao suporte elétrico para melhorar o consumo sem gerar a ansiedade relacionada à autonomia.

Continua após a publicidade

Toyota Hilux elétrica 2026
Divulgação/Toyota

A cautela da Ford, no entanto, abre espaço para que concorrentes asiáticas avancem nas primeiras iniciativas do segmento. O mercado já conta com picapes elétricas de menor volume, como a LDV eT60 e a KGM Musso EV, esta última construída sobre estrutura monobloco. Entre as fabricantes tradicionais, a Toyota saiu na frente com uma versão 100% elétrica da nova geração da Hilux, que inclusive será produzida na Argentina.

Publicidade