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Inteligência artificial ajuda a criar refeições mais saudáveis sem mudar totalmente o cardápio

Por Brasil Direto

Adotar hábitos alimentares mais saudáveis nem sempre exige mudanças radicais no cardápio. Um estudo publicado nesta quinta-feira (28) na revista científica PLOS Digital Health aponta que pequenas substituições em refeições do dia a dia podem melhorar significativamente a qualidade nutricional e até reduzir os custos com alimentação.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos, que desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de sugerir alterações simples em pratos já consumidos pelas pessoas. Em muitos casos, bastava trocar um, dois ou três ingredientes para tornar a refeição mais equilibrada.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram 135.491 refeições registradas por 55.228 adultos participantes do levantamento norte-americano “What We Eat in America” (“O Que Comemos na América”). A partir dessas informações, a equipe identificou padrões de alimentação no café da manhã, almoço e jantar.

Com os dados reunidos, os cientistas treinaram um modelo de inteligência artificial generativa para criar refeições semelhantes às normalmente consumidas pela população. Em seguida, o sistema passou a testar pequenas alterações nos ingredientes e nas quantidades para avaliar se seria possível melhorar os índices nutricionais sem modificar completamente o perfil dos pratos.

Segundo o estudo, as refeições geradas pela IA ficaram 47% mais próximas das metas nutricionais estabelecidas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em comparação às refeições reais analisadas.

Quando o sistema indicou substituições de até três ingredientes, houve um aumento médio de cerca de 10% na qualidade nutricional das refeições. Ao mesmo tempo, o custo estimado caiu entre 22% e 34%.

Entre as mudanças mais recomendadas pelo sistema estavam a inclusão de vegetais e leguminosas e a substituição de alimentos ultraprocessados ou ricos em sódio por opções consideradas mais saudáveis.

Os autores destacaram que um dos principais achados da pesquisa foi perceber que melhorar a alimentação não depende necessariamente de mudanças extremas. Segundo os pesquisadores, muitas orientações nutricionais mostram como deveria ser uma dieta saudável, mas nem sempre ajudam as pessoas a transformar as refeições que já fazem parte da rotina.

A equipe também avaliou que ajustes pontuais podem aproximar os pratos das recomendações nutricionais sem exigir uma reformulação completa do cardápio, tornando a alimentação saudável mais acessível e prática no dia a dia.

Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas ressaltaram que os testes ocorreram apenas em ambiente computacional. O sistema ainda não foi avaliado diretamente com usuários reais para medir a aceitação das substituições sugeridas e verificar se elas poderiam ser mantidas ao longo do tempo.

Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que a tecnologia poderá futuramente ser aplicada em aplicativos de alimentação e programas de saúde pública voltados à melhoria dos hábitos alimentares.

Na avaliação da equipe, uma alimentação mais saudável não precisa significar abandonar refeições já apreciadas pelas pessoas. Os pesquisadores defendem que a inteligência artificial pode ajudar a identificar trocas simples de ingredientes capazes de preservar o sabor, melhorar a qualidade nutricional e ainda reduzir gastos.

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