A Lotus Cars Brasil oficializou sua estreia no mercado nacional após três anos de negociações para consolidar a operação. A tradicional marca britânica, controlada pela chinesa Geely desde maio de 2017, inicia as atividades em julho com a abertura de duas lojas próprias em São Paulo.
A intenção da empresa é disponibilizar todo o portfólio mundial da Lotus no Brasil. Ainda está nos planos a expansão com concessionárias em capitais como Curitiba, Brasília e Porto Alegre, adotando um modelo de negócios focado em personalização. A marca prevê que 70% das vendas serão feitas sob encomenda, com o cliente personalizando a fundo os detalhes do seu carro.
O cronograma de lançamentos começa efetivamente em agosto com a chegada das primeiras unidades do utilitário esportivo Eletre e do sedã Emeya, ambos elétricos. A estratégia para o sedã elétrico é comedida, prevendo a importação de apenas 12 unidades no primeiro ano para testar a receptividade e garantir a exclusividade dos carros da Lotus no Brasil.
Na sequência, em outubro, desembarcam o esportivo de motor central Emira e sua variante de pista Emira GT4. A fabricante planeja utilizar o modelo de competição para, no futuro, criar uma categoria monomarca em solo nacional que poderia ser batizada de Lotus Cup. Antes disso, a Lotus poderá vender seu primeiro hipercarro no Brasil.
O poder dos elétricos de Wuhan
Produzido em Wuhan, na China, o Lotus Eletre tem arquitetura elétrica de 800V e dimensões monstruosas: são 5,10 m de comprimento, 3,06 m de entre-eixos, 2 m de largura e 1,64 m de altura. Seu peso varia entre 2.490 kg e 2.690 kg a depender da versão. Para compensar isso, sua carroceria tem diversas tomadas de ar que ajudaram a chegar a um coeficiente de penetração aerodinâmica até bom, de 0,26 cx.
A versão de entrada Eletre 600 utiliza dois motores elétricos que somam 612 cv e 72 kgfm, acelerando de 0 a 100 km/h em 4,5 s. Com bateria de 112 kWh, a autonomia declarada no ciclo europeu WLTP é de 600 km.
A configuração topo de linha Eletre 900 eleva os números para 918 cv e 100,5 kgfm, reduzindo o tempo de aceleração de 0 a 100 km/h para 2,95 s. Em contrapartida ao maior rendimento dinâmico, a autonomia da mesma bateria cai para 490 km (WLTP).
Essa mesma motorização de 918 cv e 100,5 kgfm (985 Nm) equipará as unidades do sedã Emeya que serão destinadas ao Brasil. Os dois modelos têm suspensão pneumática de duas câmaras (e independente nas quatro rodas) e o amortecimento variável, além de eixo traseiro direcional.
Para o segundo semestre de 2027, a marca ainda projeta o lançamento do Eletre X, versão com extensor de autonomia (REEV) que combina um motor 2.0 turbo de 282 cv atuando como gerador e motores elétricos para somar 965 cv. Esta versão, no entanto, será apresentada no Brasil ainda em 2026.
Lotus para puristas
Para os entusiastas que torcem o nariz para a eletrificação total, a marca confirmou a vinda do Lotus Emira equipado com motor V6 3.5 Supercharger e transmissão manual de seis marchas. O cupê de dois lugares tem 406 cv e cumpre o 0 a 100 km/h em 4,3 s.
A Lotus garante que manterá a produção desta configuração purista ativa nos próximos anos, servindo como elo com o passado histórico da marca na Fórmula 1.
A versão mais rápida do Lotus Emira, no entanto, usa um motor quatro cilindros 2.0 turbo de origem AMG. O carro apresentado no Brasil ainda é de uma versão com 405 cv, que chega aos 100 km/h em 4 s graças ao câmbio de dupla embreagem. No entanto, a Lotus apresentou nesta semana o Emira 420, com o mesmo motor dos Mercedes-AMG A 45, com 421 cv e 51 kgfm.
O Lotus Emira foi concebido como o último carro a combustão da fabricante britânica e ainda é fabricado na sede da Lotus em Hethel, no Reino Unido. Também é de lá que sai o Lotus Evija, um hipercarro elétrico com produção limitada a 130 unidades no mundo inteiro.
O modelo tem quatro motores elétricos, um por roda, que despejam 2.039 cv e 173,3 kgfm. Seu tempo de 0 a 100 km/h é o mesmo de um Eletre 900, 2,9 segundos, mas é capaz de atingir 300 km/h em menos de 9 s. Contudo, o peso da eletrificação cobra seu preço: dos 1.887 kg totais do veículo, a bateria de 93 kWh responde por expressivos 753 kg.
A Lotus está negociando a venda de uma unidade do Evija no Brasil. Seu preço, no entanto, ficaria ao redor dos R$ 40 milhões.