ONU e Israel entram em novo embate após denúncias de violência sexual

A informação foi divulgada pelo embaixador israelense na ONU, Danny Danon

O governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (28) o congelamento das relações institucionais com o secretário-geral da ONU, António Guterres, após denúncias de que o país poderá ser incluído em uma lista da organização sobre violência sexual em conflitos armados.

A informação foi divulgada pelo embaixador israelense na ONU, Danny Danon, que criticou duramente a suposta decisão e acusou a entidade de agir politicamente contra Israel.

“Estamos fartos desse secretário-geral”, declarou Danon em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo a missão israelense, o rompimento com o gabinete de Guterres permanecerá até o fim do mandato do secretário-geral, previsto para dezembro de 2026.

O representante israelense classificou como “ultrajante” a possibilidade de Israel ser acusado de utilizar violência sexual como arma de guerra e afirmou que o país estaria sendo colocado “na mesma lista dos terroristas do Hamas”.

Até a publicação da reportagem, a Organização das Nações Unidas não havia confirmado oficialmente a inclusão de Israel no relatório nem comentado as declarações feitas pelo governo israelense.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, também atacou a ONU e afirmou que a organização teria abandonado seus princípios para “atacar sistematicamente Israel”.

Danon disse ainda que Israel teria convidado representantes das Nações Unidas para verificarem as acusações diretamente no país, mas alegou que os enviados não compareceram.

O clima de tensão aumentou após a divulgação de uma reportagem do jornal The New York Times reunindo relatos de palestinos que denunciam estupros, abusos sexuais e humilhações em prisões israelenses.

Em resposta, Israel divulgou um relatório de cerca de 300 páginas acusando integrantes do Hamas e outros grupos palestinos de promoverem violência sexual em larga escala durante os ataques de 7 de outubro de 2023 e contra reféns mantidos em Gaza.

Enquanto isso, o Parlamento israelense aprovou uma legislação que cria um tribunal militar especial para julgar palestinos acusados de participação nos ataques do Hamas. A medida recebeu apoio tanto da base governista quanto de partidos da oposição.

Nos últimos dias, novas acusações também surgiram após integrantes da organização Global Sumud Flotilla denunciarem agressões e abusos contra ativistas detidos por soldados israelenses durante uma missão humanitária com destino à Faixa de Gaza.

O serviço prisional de Israel negou as denúncias e afirmou que todos os detidos foram tratados “de acordo com a lei” e sob supervisão profissional.

A deportação dos ativistas provocou forte reação internacional, especialmente após a divulgação de vídeos mostrando os detidos com as mãos amarradas enquanto o hino israelense era reproduzido em alto volume.

Países como França, Espanha, Canadá, Itália, Irlanda e Turquia criticaram a ação. Até representantes dos Estados Unidos demonstraram desconforto com a condução do episódio.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, também passou a ser alvo de críticas dentro do próprio governo. O chanceler Gideon Saar afirmou que a postura do ministro prejudicou a imagem internacional do país.

Já o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que autorizou a deportação dos ativistas, mas disse que “a maneira como Ben-Gvir lidou com eles não está de acordo com os valores e normas de Israel”.