A nova operação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro aumentou a preocupação dentro do PL e passou a gerar impactos nas articulações políticas do senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato à Presidência da República.
Aliados avaliam que o cenário político de Castro ficou ainda mais delicado após a operação realizada nesta terça-feira (26). A pré-candidatura do ex-governador ao Senado, que já enfrentava dificuldades desde sua saída do Palácio Guanabara, passou a ser vista nos bastidores como cada vez mais enfraquecida.
O temor dentro do grupo bolsonarista é que o desgaste envolvendo Castro acabe atingindo diretamente a imagem de Flávio Bolsonaro e também prejudique o deputado Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que é aliado do senador.
O Rio de Janeiro é considerado estratégico para o grupo político da família Bolsonaro por concentrar uma das maiores bases eleitorais do país. O estado foi decisivo nas vitórias de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 e 2022.
A operação da PF investiga supostas movimentações envolvendo cerca de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores estaduais, destinados ao Banco Master e fundos ligados à instituição financeira.
A ação ocorreu poucos dias após outra ofensiva contra Cláudio Castro, relacionada a suspeitas de favorecimento ao grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.
Segundo informações apuradas nos bastidores políticos, integrantes do PL demonstram preocupação com diálogos entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que estão sob análise da Polícia Federal. O receio é que o conteúdo das conversas amplie o desgaste político do grupo.
Nos bastidores, também existe a avaliação de que a associação entre Castro e Douglas Ruas possa dificultar o crescimento eleitoral do presidente da Alerj, que ainda busca ampliar seu reconhecimento entre os eleitores fluminenses.
Enquanto isso, adversários políticos passaram a explorar o cenário de crise envolvendo o grupo bolsonarista no Rio de Janeiro. O prefeito Eduardo Paes, por exemplo, tem usado a ligação entre Castro e aliados do PL como parte de sua estratégia política.
O ambiente político no estado já vinha enfrentando turbulências desde a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, investigado por suposto vazamento de informações relacionadas a operações contra o Comando Vermelho.
Além disso, Cláudio Castro também enfrenta condenação por inelegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em processo relacionado à contratação irregular de cabos eleitorais em programas do governo estadual.
Com o agravamento da crise, o desembargador Ricardo Couto assumiu interinamente o comando do governo fluminense e iniciou uma revisão nas contas da gestão anterior, o que ampliou ainda mais a tensão política no estado.