A reestruturação da Porsche sob o comando do novo presidente executivo, Michael Leiters, vai reduzir os planos de produção global pela metade. A fabricante alemã abandonou a meta histórica de alcançar até 400.000 emplacamentos anuais, estabelecida pela gestão anterior, para focar na rentabilidade financeira.
A decisão foi motivada pela forte queda nas vendas nos Estados Unidos e na China, além do desempenho comercial abaixo do esperado de sua linha de veículos elétricos.
Foco na rentabilidade

O recuo estratégico prioriza a saúde financeira da empresa em detrimento do volume bruto de emplacamentos. No ano passado, a margem operacional da companhia despencou para pouco mais de 1%, um sinal de alerta para uma das marcas que historicamente ostenta ótimos retornos.
Com a nova meta de produzir cerca de 200.000 unidades por ano, a fabricante projeta recuperar sua margem operacional para um patamar entre 10% e 15% até o fim desta década. Ao mesmo tempo, a redução das metas de produção poderá restringir um pouco o acesso aos carros da Porsche, devolvendo a exclusividade de outrora a alguns modelos, como o 911.

Para viabilizar a eficiência projetada, o plano de reestruturação da Porsche envolve demissões e severa reformulação corporativa. A divisão de tecnologia da informação Car-IT já foi dissolvida, reduzindo as áreas de atuação da empresa de oito para sete divisões. O próprio conselho executivo deve encolher de sete para seis membros, repetindo uma estrutura organizacional enxuta que a marca alemã já utilizou no passado.
Cortes em Weissach

O impacto mais severo deve atingir o centro de desenvolvimento tecnológico em Weissach, na Alemanha, que atualmente emprega cerca de 5.200 funcionários. Fontes ligadas à empresa indicam que até um quarto dos postos de trabalho desse complexo de engenharia estão sob risco de eliminação. As demissões estão sendo negociadas com o comitê de trabalhadores alemães para tentar mitigar o impacto social.
A reestruturação da Porsche também alcança o primeiro escalão do departamento comercial. O chefe de vendas globais, Matthias Becker, corre o risco de perder o cargo após o enfraquecimento dos resultados comerciais no mercado chinês. O executivo não compareceu ao Salão de Pequim deste ano, uma ausência interpretada nos bastidores da indústria como indicativo de seu iminente desligamento da fabricante.
Fusão de divisões
A ociosidade das linhas de montagem gerou problemas de sobrecapacidade na matriz. Como solução industrial e logística, a empresa estuda fundir os departamentos de produção e de compras para eliminar redundâncias operacionais.
No ano passado, a marca comercializou cerca de 280.000 veículos no mundo, volume que representou uma queda superior a 30.000 unidades em relação ao período anterior.
A tendência de baixa nos licenciamentos globais continuou forte no primeiro trimestre deste ano, registrando nova retração de 15% nos volumes. O encolhimento planejado tenta blindar a operação global contra as oscilações macroeconômicas atuais e recolocar a marca em um patamar financeiro saudável, mesmo vendendo menos carros.