Quase duas décadas após o crime que chocou o país, o caso de Isabella Nardoni voltou ao debate público depois que uma denúncia foi encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington. O documento menciona relatos de uma suposta declaração atribuída a Anna Carolina Jatobá durante o período em que esteve presa em Tremembé, no interior paulista.
A petição foi apresentada pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo e solicita não apenas a reabertura das investigações, mas também a prisão de Antônio Nardoni. As informações foram divulgadas inicialmente pela coluna da jornalista Fábia Oliveira, do portal Metrópoles.
De acordo com o conteúdo da denúncia, três policiais penais teriam relatado ter ouvido falas atribuídas a Jatobá dentro da unidade prisional. Nessas conversas, ela supostamente teria indicado envolvimento do sogro na articulação do crime.
Em um dos trechos citados no documento, a expressão usada teria sido “daquele véio”, interpretada pelas testemunhas como uma referência direta a Antônio Nardoni.
Apesar disso, a representação não apresenta registros em áudio, confissão formal ou qualquer depoimento oficial judicial que comprove as supostas declarações.
A denúncia também levanta a hipótese de que o pai de Alexandre Nardoni teria participado de orientações para modificar provas e simular um acidente na época da morte de Isabella, em 2008. Com base nisso, o pedido à CIDH inclui medidas de proteção às testemunhas, acompanhamento internacional do caso e a prisão preventiva de Antônio Nardoni.
Segundo informações divulgadas, o Ministério Público de São Paulo analisa o conteúdo da representação antes de qualquer posicionamento oficial.
A defesa da família Nardoni nega todas as acusações e afirma que tomará providências judiciais contra os responsáveis pelas novas alegações. Até o momento, não há decisão que determine reabertura do caso ou investigação formal contra Antônio Nardoni.
O crime ocorreu em março de 2008 e teve grande repercussão nacional. Isabella Nardoni, de 5 anos, morreu após ser jogada do sexto andar do edifício onde o pai morava, na zona norte de São Paulo.
Em 2010, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados por homicídio e fraude processual. Ambos cumprem pena em regime aberto.