A Justiça dos Estados Unidos tornou pública a suposta carta de despedida atribuída ao empresário Jeffrey Epstein, investigado por comandar uma rede de exploração sexual. O documento permaneceu em sigilo durante anos e fazia parte do processo envolvendo o ex-companheiro de cela do bilionário.
Na mensagem, Epstein afirma que passou meses sendo investigado sem que, segundo ele, provas fossem encontradas. O texto também menciona que as acusações teriam origem em um caso antigo.
“Eles me investigaram por meses – NÃO ENCONTRARAM NADA!!!
Então o resultado foi uma acusação de 16 anos atrás.
É um privilégio poder escolher o momento de dizer adeus.
O que você quer que eu faça – cair no choro!!
NÃO É LEGAL – NÃO VALE A PENA!!”
O bilhete teria sido localizado em julho de 2019 por Nicholas Tartaglione, que dividia cela com Epstein no Centro Correcional de Manhattan. Segundo Tartaglione, a carta foi encontrada depois que o empresário foi achado desacordado dentro da cela, em um episódio anterior à morte dele.
Algumas semanas depois, Epstein morreu aos 66 anos dentro da unidade prisional, em um caso tratado oficialmente pelas autoridades americanas como suicídio.
A divulgação do documento foi autorizada pelo juiz federal Kenneth M. Karas, responsável pelo processo de Tartaglione no Tribunal Distrital de White Plains, em Nova York. A liberação ocorreu após solicitação do jornal The New York Times.
Antes da decisão, o magistrado consultou as partes envolvidas no caso. O Ministério Público de Manhattan não se opôs à divulgação e afirmou existir grande interesse público em esclarecer detalhes relacionados à morte de Epstein.
Mesmo após a publicação, o The New York Times ressaltou que não foi possível comprovar oficialmente a autenticidade da autoria da carta.
O caso voltou a ganhar repercussão depois que o Departamento de Justiça dos EUA liberou milhões de páginas de arquivos relacionados às investigações sobre Epstein. Entre os materiais divulgados estão imagens, vídeos e documentos reunidos durante as apurações.
A divulgação dos arquivos sofreu atrasos durante o governo de Donald Trump, que inicialmente tentou impedir a publicação. Posteriormente, após pressão política e pública, o material acabou sendo liberado.
Parlamentares norte-americanos chegaram a acusar o governo de ocultar parte dos documentos finais da investigação. Já o Departamento de Justiça afirmou que algumas informações foram preservadas para proteger vítimas e cumprir regras de sigilo legal.
Trump afirma que rompeu relações com Epstein antes de 2008 e nega qualquer envolvimento com os crimes atribuídos ao empresário. Até hoje, o presidente norte-americano nunca foi acusado formalmente pelas autoridades no caso.