A britânica AC Cars revelou a versão de produção do novo AC Cobra GT Coupe, o primeiro modelo com teto rígido de fábrica na história do esportivo. O lançamento faz parte das celebrações de 125 anos da fabricante e resgata as linhas aerodinâmicas do icônico protótipo A98 Coupe, que correu as 24 Horas de Le Mans em 1964. O modelo adota uma postura mais agressiva do que a variante conversível, mirando clientes endinheirados que buscam exclusividade.
O parentesco com o GT Roadster é grande, compartilhando cerca de 75% dos componentes estruturais e de engenharia. A grande diferença prática reside na proposta de uso, já que o cupê foi planejado desde o início como um gran turismo. Não se trata de um carro de pista aliviado para as ruas, mas de um esportivo de luxo capaz de isolar os ocupantes em viagens longas, sem abrir mão do desempenho do motor de origem Ford.
Estrutura leve e o efeito Kammtail
A construção do esportivo combina um chassi de alumínio extrudado a uma carroceria feita inteiramente de fibra de carbono. Para garantir o visual clássico sem prejudicar o espaço interno, o teto adota o formato de “dupla bolha”, o que melhora o fluxo de ar e reduz o coeficiente aerodinâmico em relação ao irmão sem teto. Na traseira, a marca aplicou o conceito Kammtail, um corte abrupto na carroceria que melhora a eficiência dinâmica sem a necessidade de aerofólios exagerados.
Em termos de dimensões, o modelo é significativamente maior do que os Cobra do século passado. Ele ostenta 4,23 m de comprimento, 1,98 m de largura e generosos 2,57 m de entre-eixos, medidas que permitem acomodar com conforto motoristas com mais de 1,90 m de altura. O peso total em ordem de marcha fica na casa dos 1.600 kg, distribuído em uma proporção quase perfeita de 50% em cada eixo, garantindo um comportamento dinâmico neutro e previsível.
Força de sobra sob o capô
O conjunto mecânico do AC Cobra GT Coupe baseia-se no motor Ford V8 5.0 aspírado, com bloco de alumínio, que pode ser adquirido em duas configurações. A transmissão pode ser manual de seis marchas, voltada aos puristas, ou automática de 10 marchas com borboletas atrás do volante. A aceleração de zero a 100 km/h na versão topo de linha ocorre em menos de 3,5 s, número que o coloca em patamar de igualdade com a elite dos esportivos alemães e italianos atuais.
O habitáculo equilibra nostalgia com tecnologia atual de forma coerente. O painel combina instrumentos analógicos circulares com uma tela digital para o computador de bordo logo atrás do volante, além de uma central multimídia com navegação integrada no console.
O acabamento traz couro costurado à mão, interruptores usinados e detalhes em fibra de carbono aparente, além de itens de conforto essenciais como ar-condicionado digital e vidros elétricos.
As primeiras entregas globais do modelo estão agendadas apenas para 2028, logo após a conclusão do lote inicial de produção da versão conversível. A marca projeta expandir sua operação artesanal das atuais 100 unidades anuais para até 1.000 carros por ano no acumulado de toda a sua gama. Os preços iniciais na Europa assustam e invadem o território de modelos consagrados como o Porsche 911 Turbo S.