Adamo GTL unia mecânica a ar do Fusca com linhas inspiradas em Ferrari

O desempenho não empolgava tanto quanto o desenho inspirado na Ferrari 308 GT
O desempenho não empolgava tanto quanto o desenho inspirado na Ferrari 308 GTMarlos Ney Vidal/Quatro Rodas

Durante décadas, o sonho proibido de ter um importado embalou a indústria nacional dos fora de série. Os modelos eram feitos por pequenas empresas, com o objetivo de produzir carros quase exclusivos, ainda que a intenção esbarrasse frequentemente na escassez de componentes.

A mecânica, em geral, era a do Volkswagen a ar. O esforço para se diferenciar no visual produziu resultados interessantes, e o Adamo é um bom exemplo. Com linhas arrojadas, o modelo se destacava justamente no quesito em que menos se esperava: o consumo.

A marca, que adotava um cavalo-marinho como símbolo, expôs o primeiro protótipo no Salão do Automóvel de 1968. Em 1970, Milton Adamo, criador da empresa, apresentou o modelo GT. Por utilizar a plataforma da Volkswagen, o carro conservava o comportamento dinâmico do Fusca 1300.

A maior diferença ficava por conta do desenho ousado da carroceria de fibra de vidro. O resultado foi uma mistura de bugue com roadster, já que o modelo não possuía portas ou teto rígido. Após 150 unidades produzidas, o GT foi descontinuado em 1972.

As lanternas vinham da Brasilia
As lanternas vinham da BrasiliaMarlos Ney Vidal/Quatro Rodas
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No Salão de 1974, a Adamo lançou o GT-2. A novidade, além da reformulação visual, foi a adoção do motor 1500 da Volkswagen. As linhas da carroceria posicionavam o modelo como concorrente do Puma e do Volkswagen SP2. Na dianteira, o destaque ficava para os quatro faróis sem cobertura plástica. Na traseira, o visual remetia a esportivos europeus, como a Ferrari Dino.

Os bancos anatômicos passaram a acomodar apenas duas pessoas, e o espaço traseiro foi reservado para complementar o pequeno porta-malas. Ainda na fase do GT-2, começaram as negociações entre Milton Adamo e a Volkswagen para a adoção do motor do Fusca 1600. O resultado veio em 1979 com o lançamento do Adamo GTL, que passou a concorrer com o Dardo e o Puma GTE.

A carroceria do GTL era fechada e inspirada na Ferrari 308 GT. Na dianteira, o modelo trazia faróis escamoteáveis, enquanto a traseira adotava lanternas do Alfa Romeo 2300 Ti. O painel tinha formato semielíptico e era voltado para o motorista. Instrumentos de leitura essencial, como conta-giros e manômetro de óleo, ficavam à esquerda, no campo de visão direto. Os interruptores eram herdados do Fiat 147.

Por dentro, instrumentos voltados para o motorista
Por dentro, instrumentos voltados para o motoristaMarlos Ney Vidal/Quatro Rodas
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Apesar das belas formas, a performance decepcionava. Mesmo com o motor 1.6 de dupla carburação e escapamento de Puma, os parcos 70 cv não empolgavam. Diante do desempenho modesto, o sistema de freios, com discos na frente e tambor atrás, acabou superdimensionado para o conjunto.

Depois do GTL, o motor 1.6 a ar permaneceu nas versões GTM e C2, ambas conversíveis. O exemplar das fotos é um GTM 1984, reconhecido pelas lanternas de Brasilia, e pertence ao mineiro Ivahy Antônio de Souza, marcando 35.000 quilômetros rodados. O modelo mantém a receita dos Adamo anteriores: carroceria de fibra de vidro sobre chassi Volkswagen.

Ao volante do Adamo, em plena aceleração, ouve-se o característico ruído metálico do motor 1600 de dupla carburação. O conversível preserva a capota de vinil original e as maçanetas de Alfa Romeo.

O motor era o conhecido 1600 a ar, com dupla carburação
O motor era o conhecido 1600 a ar, com dupla carburaçãoMarlos Ney Vidal/Quatro Rodas
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No fim dos anos 1980, a Adamo lançou o CRX com motor 1.8 refrigerado a água. A despedida da marca ocorreu com o AC 2000, já equipado com motor 2.0 da Volkswagen. Foi uma evolução técnica evidente, mas o desempenho ainda ficava aquém do que se esperava de um carro com tamanho apelo visual.

* Reportagem originalmente publicada em dezembro de 2006

Teste QUATRO RODAS – junho de 1979

  • Aceleração de 0 a 100 km/h: 16,47 s
  • Velocidade máxima: 147,8 km/h
  • Consumo médio: 12,87 km/l
  • Preço (maio de 1979): Cr$ 309.862
  • Preço (atualizado IGP-DI/FGV): R$ 166.603

Ficha técnica – Adamo GTL 1979

  • Motor: traseiro, 4 cilindros contrapostos, refrigerado a ar, 1.584 cm3, dois carburadores
  • Diâmetro x curso: 85,5 x 69 mm
  • Taxa de compressão: 7,2:1
  • Potência: 70 cv a 4.700 rpm
  • Torque: 12,3 kgfm a 3.000 rpm
  • Câmbio: manual de 4 marchas
  • Carroceria: cupê, 2 portas, carroceria de fibra de vidro, chassi com plataforma de aço
  • Dimensões: comprimento, 410 cm; largura, 169 cm; altura, 118 cm; entre-eixos, 240 cm
  • Peso: 810 kg
  • Suspensão: Dianteira: independente, com barras de torção, amortecedores e barra estabilizadora. Traseira: independente, com semieixos oscilantes e amortecedores
  • Freios: discos dianteiros e tambores traseiros
  • Direção: mecânica, setor e rosca sem-fim
  • Rodas e pneus: liga leve aro 14, tala 6 na frente e 7 atrás; pneus 185/70 HR14
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