O julgamento dos acusados pela morte do menino Henry Borel entrou em seu sétimo dia neste domingo (31), no Rio de Janeiro, marcado pelo depoimento de Thayná de Oliveira Ferreira, ex-babá da criança. Considerada uma das testemunhas centrais do processo, ela relatou situações que, segundo afirmou, despertaram suspeitas sobre a convivência entre Henry e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho.
Antes do início dos questionamentos das partes, a juíza Elizabeth Machado Louro observou que a testemunha havia esclarecido divergências presentes em depoimentos anteriores. Em seguida, a defesa de Monique Medeiros iniciou sua participação na audiência.
Durante o relato, Thayná afirmou que nunca presenciou agressões físicas diretamente, mas disse ter observado mudanças no comportamento e no estado físico de Henry após momentos em que ele permanecia sozinho com Jairinho dentro de um quarto.
Segundo a ex-babá, o menino costumava sair desses encontros reclamando de dores ou apresentando sinais que chamavam atenção. Ela mencionou episódios em que Henry teria deixado o local abatido, mancando ou com marcas pelo corpo. Em uma das ocasiões, a criança relatou ter caído da cama após permanecer no quarto com o padrasto.
A testemunha também recordou um episódio ocorrido em fevereiro de 2021, quando Monique estava fora de casa. Na ocasião, segundo ela, Jairinho permaneceu trancado com Henry enquanto a mãe acompanhava a situação por mensagens de celular, orientando a funcionária a monitorar o que acontecia.
De acordo com Thayná, ela mantinha Monique informada sobre os comportamentos que considerava preocupantes e chegou a sugerir medidas como a instalação de câmeras no apartamento e acompanhamento psicológico para o menino.
Ao descrever uma das situações que mais a impactaram, a ex-babá afirmou que Henry demonstrou forte resistência em se afastar dela após sair de um dos encontros com Jairinho. Ela também relatou que recebeu dinheiro para substituir uma roupa danificada durante o episódio, circunstância que interpretou como uma tentativa de minimizar o ocorrido.
Outro ponto abordado no depoimento envolveu acontecimentos posteriores à morte da criança. Thayná contou que, poucos dias após o enterro, foi levada juntamente com outra funcionária a um escritório de advocacia. Segundo ela, houve pedidos para que apagasse mensagens armazenadas em seu celular. Antes disso, afirmou ter feito capturas de tela do conteúdo, que posteriormente foram exibidas aos jurados.
A testemunha declarou ainda que sofreu pressão para conceder entrevista em defesa do casal. Segundo seu relato, tanto orientações atribuídas à defesa quanto pedidos atribuídos a Monique buscavam reforçar uma imagem positiva da relação entre os envolvidos.
Ao ser questionada pela defesa de Monique Medeiros, Thayná confirmou que havia alertado a mãe de Henry sobre suas suspeitas de maus-tratos. Entretanto, conforme destacado durante a sessão, as mensagens apresentadas ao júri não continham afirmações explícitas nesse sentido.
O julgamento segue com a oitiva de outras testemunhas. Até o momento, 17 pessoas já foram ouvidas. A expectativa é de que o processo figure entre os mais longos já realizados no estado do Rio de Janeiro.